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Independência

Independência tenta sua última cartada

Assembleia de credores do Independência é suspensa novamente. Empresa propõe venda de ativos para evitar a falência.

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Após negociações, nos últimos dias, em que credores do Independência rejeitaram informalmente a proposta de um grupo de investidores para reestruturação e aquisição dos ativos da companhia, a assembleia de credores foi novamente suspensa ontem. Será retomada dia 3 de março e será decisiva para o futuro do Independência, que pediu recuperação judicial há dois anos. Na assembleia, eles decidirão se aceitam uma proposta de leilão de ativos do grupo em bloco para levantar recursos. A outra opção é o pedido de falência.

No encontro de ontem, quando pecuaristas exaltaram-se defendendo a falência do Independência, a empresa modificou o plano de reestruturação que havia sido apresentado no dia 31 de janeiro.

Naquela ocasião, o representante do grupo de investidores, Alfredo Chang, propôs a aquisição dos ativos do frigorífico com assunção das dívidas, mas deságio entre 80% e 92% nos créditos totais, inclusive de pecuaristas e fornecedores. Além disso, o plano previa pagamento dessas categorias em 120 parcelas com dois anos de carência. Para os credores financeiros, propunha trocar títulos de dívida por papéis conversíveis em ações. O investidor também faria um aporte de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões como capital de giro numa nova companhia a ser criada, a “Nova Independência”.

Ontem o advogado Luiz Fernando Paiva, que representa o Independência, disse que a empresa propõe a venda de ativos com assunção de dívidas, mas o investidor terá de se comprometer a pagar os pecuaristas e fornecedores integralmente, da forma estabelecida no plano original, em 24 meses. Isso ocorreria tão logo seja feita a alienação dos ativos.

Outra modificação é que ficará a cargo dos credores avaliar todas as propostas de eventuais interessados. “A venda dos ativos será feita em condições estabelecidas pelos credores”, disse o advogado.

Entre esses credores estão os detentores do eurobônus de US$ 165 milhões, emitidos em março de 2010 pelo Independência. Em setembro, a empresa anunciou que não pagaria juros desses títulos e outubro parou de operar. Esses créditos têm prioridade de pagamento em relação aos demais e garantias nos ativos da empresa.

Paiva afirmou que os acionistas da família Russo têm mantido entendimentos com o BNDES, garantindo que não têm nenhum interesse em ficar com ativos ou de direcionar o resultado do leilão. O banco de fomento tem participação de 11% no Independência.

Ele reforçou a necessidade de venda de ativos do Independência como forma de evitar a falência. “Sem venda de ativos, não parece factível que empresa vai gerar recursos para pagar credores”, disse Paiva. “Vamos impedir esta que parece ser a última alternativa?”, indagou aos credores.

Diante de reiteradas queixas de pecuaristas, que defendem a falência da companhia, Paiva afirmou: “Não se trata de ameaça, mas em caso de falência da empresa, os pecuaristas tendem a receber zero”.

Fornecedores de gado do Independência também questionaram o fato de a empresa ter devolvido unidades em Mato Grosso (Confresa, Colíder, Juína e Pontes e Lacerda) para o antigo proprietário. Segundo Paiva, a empresa tinha compromissos de compra e venda que não conseguiu cumprir por causa das dificuldades financeiras e as unidades foram retomadas.

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