Segundo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), união tem potencial de gerar mais danos do que benefícios à coletividade.
Relator do Cade critica BRF em julgamento
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) adotou um tom bastante duro no julgamento da fusão da Sadia com a Perdigão, que criou a Brasil Foods. Segundo relator do processo, Carlos Ragazzo, a união das duas companhias tem potencial de gerar mais danos do que benefícios aos consumidores.
Durante a leitura do relatório, Ragazzo procurou rebater os pontos da defesa apresentada pelos advogados da empresa. Um deles, por exemplo, era de que a Brasil Foods é uma grande exportadora e ajudaria a equilibrar a balança comercial. Para o relator, porém, o argumento não é válido. Ragazzo afirmou que não é plausível a aprovação de um negócio que gera benefícios externos, mas prejudica severamente o mercado interno.
O potencial aumento de preços dos produtos da Brasil Foods é um dos fatores mais mencionados pelo relator . “Em algumas regiões onde atua, a BRF pode elevar o valor de suas mercadorias em até 40%, devido a concentração de mercado”, afirmou Ragazzo.
As eficiências da concentração não são, de longe, suficientes diante dos inúmeros prejuízos que a fusão pode gerar ao mercado, afirmou também o relator.
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O caso – No início de maio, um parecer da Procuradoria Federal Especializada junto ao Cade afirmava que a união das duas companhias seria condicionada a restrições. A mais severa delas seria a venda de uma das principais marcas.
Há mais de dois anos, o mercado aguarda com expectativas o desfecho da fusão entre Sadia e Perdigão. O negócio anunciado em maio de 2009 criou uma das maiores empresas do setor alimentício mundial e a terceira maior empresa exportadora brasileira.
Em 2010, a BRF faturou 23 bilhões de reais. Com portfólio de cerca de 1.500 itens, a empresa está presente em 110 países.





















