Ensino do cooperativismo – por Vanir Zanatta, presidente da OCESC

O ensino do cooperativismo nas escolas públicas – proposta defendida pela Organização das Cooperativas Brasileiras com o apoio desta Organização das Cooperativas de Santa Catarina – transcende a mera transmissão de conhecimento. É uma estratégia de formação cidadã, capaz de moldar indivíduos conscientes, comprometidos e preparados para enfrentar os desafios sociais e econômicos de suas comunidades. O cooperativismo, enquanto doutrina que valoriza a paz, a harmonia, a justiça social e o esforço individual, oferece uma base sólida para o desenvolvimento de uma sociedade mais equitativa e colaborativa.
A inclusão da educação cooperativa na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) é uma medida que merece ser amplamente defendida. Ao integrar o cooperativismo de forma interdisciplinar no currículo escolar, abre-se espaço para que estudantes de todas as idades compreendam a importância da cooperação como ferramenta para o progresso coletivo. Desde cedo, crianças e adolescentes podem ser expostos aos valores cooperativistas, como a ajuda mútua, a responsabilidade compartilhada e a solidariedade, princípios que não apenas beneficiam o indivíduo, mas também fortalecem a coesão social.
Nos países onde o cooperativismo é ensinado nas escolas, observa-se um impacto positivo tanto no desenvolvimento pessoal quanto no crescimento econômico das regiões envolvidas. A introdução prática desses conceitos em sala de aula, por meio de atividades que simulam a criação e gestão de cooperativas escolares, permite que os alunos vivenciem a importância do trabalho em equipe e do empreendedorismo coletivo. Essas experiências ajudam a formar cidadãos mais conscientes de seu papel na sociedade e mais preparados para agir em prol do bem-comum.
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Os estados já avançaram na inclusão do cooperativismo no currículo escolar, servindo como exemplo do potencial transformador dessa iniciativa. Em locais onde o ensino cooperativista foi implementado, comunidades têm testemunhado um aumento na participação dos jovens em projetos sociais e uma maior disposição para a criação de soluções coletivas para problemas locais. Isso demonstra que, ao entenderem a relevância do cooperativismo, os estudantes se tornam agentes de mudança, capazes de liderar iniciativas que promovam o desenvolvimento sustentável e a inclusão social.
Além dos benefícios sociais, essa prática educacional nas escolas públicas pode ter um impacto significativo na economia local. A formação de futuros empreendedores com uma mentalidade cooperativista pode resultar na criação de novas cooperativas, que por sua vez geram emprego e renda, promovendo o desenvolvimento econômico das microrregiões. Essas cooperativas, enraizadas nos princípios da meritocracia e da valorização do esforço individual, são capazes de competir no mercado com outras formas de organização empresarial, oferecendo produtos e serviços de qualidade com base em práticas justas e solidárias.
Outro ponto a ser destacado é o papel do cooperativismo em situações de catástrofes, onde a solidariedade e a parceria com o Poder Público se tornam fundamentais. Em momentos de emergência, cooperativas têm demonstrado ser um suporte vital para a recuperação de comunidades, oferecendo não apenas assistência imediata, mas também estratégias para a reconstrução econômica e social. Esse exemplo foi protagonizado pelas cooperativas catarinenses na pandemia da covid-19, nas enchentes e em outras situações de crise.
Incluir o cooperativismo no currículo das escolas pode proporcionar aos estudantes ferramentas necessárias para transformar suas realidades. O cooperativismo, com sua filosofia humanista e seu modelo de negócio solidário, apresenta-se como uma via promissora para o desenvolvimento sustentável e a formação da cidadania.





















