O Grupo Veremonte, controlado pelo investidor espanhol Enrique Bañuelos, deixou a gestão da Vanguarda Agro.
Divergência “racha” a Vanguarda Agro
O Grupo Veremonte, controlado pelo investidor espanhol Enrique Bañuelos, deixou a gestão da Vanguarda Agro, empresa formada por ele a partir da aquisição do controle da Brasil Ecodiesel e da incorporação de ativos do grupo Maeda e da empresa agrícola mato-grossense Vanguarda, do produtor rural Otaviano Pivetta.
Segundo Marcelo Paracchini, executivo do Veremonte, braço direito de Bañuelos e agora ex-presidente do conselho da Vanguarda Agro, o afastamento decorreu de divergências em torno de uma solução para o pagamento das dívidas da companhia, que são superiores a US$ 600 milhões.
O Veremonte defende que as terras próprias da empresa – 100 mil hectares, de um total de 330 mil – sejam “monetizadas” com a transferência de uma participação de 49% para um Fundo de Investimento em Participações (FIP). Com a medida, disse Paracchini, poderiam ser levantados mais de R$ 400 milhões, montante suficiente para equacionar os débitos.
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De acordo com Pivetta, essa engenharia financeira resultaria em uma queda de sua participação na Vanguarda Agro. Hoje ele é o principal acionista individual da empresa, com 27%, enquanto a Veremonte tem 22%.
“As exigências da Veromonte eram inaceitáveis. Eles queriam era controlar a companhia. Propuseram montar um bloco de controle no qual eles teriam 15% e eu teria 14%, e eu não aceitei entregar o comando. Seria o maior acionista sem mandar?”, indaga.
Paracchini não confirmou esses percentuais, mas reiterou que a estratégia proposta tem por objetivo reduzir os custos com as dívidas, que estão elevadas. “É apenas uma visão moderna de administração. Mas o ideal é que as coisas tivessem sido resolvidas de outra maneira”.
“Temos uma dívida grande, mas temos receita. A empresa tem ativos e saúde financeira. Não precisamos renegociar absolutamente nada. Toda a dívida está equalizada”. O faturamento anual da Vanguarda Agro é atualmente estimado em cerca de R$ 1,5 bilhão.
A Veremonte ainda pode exercer a opção que tem de comprar uma fatia adicional de 5% da participação de Pivetta, e Paracchini afirma que isso será feito. “Não muda nada se a Veromonte comprar esses 5%. Ainda teremos maioria”, afirmou Pivetta, que estava em sua fazenda em Nova Mutum (MT) quando conversou com o Valor por telefone.
“Eu e o Hélio [Seibel, um dos acionistas minoritários da Vanguarda Agro] temos um combinado recente de que vamos assumir o controle da companhia. Juntos, eu, meus irmãos e o Hélio temos 40% das ações. O Hélio vai cuidar da parte financeira e de governança e eu cuido da produção, que é o que sei fazer”, afirmou Pivetta.
Além de Marcelo Paracchini, deixaram a gestão da Vanguarda Agro o outro representante do Veremonte no conselho (Antônio Carlos Romanoski), dois diretores-executivos (Sergio Augusto Malacrida Júnior e Guilherme Augusto D’Avila Mello Raposo) e o diretor de relações com investidores (Fábio Mituru Tsubouchi). Caso o Veremonte retome o controle, todos deverão voltar a seus cargos.
Conforme comunicado enviado pela Vanguarda Agro à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no início da noite de ontem, agora Bento do Amaral Peixoto Moreira Franco acumulará os cargos de diretor presidente e de diretor de relações com investidores, enquanto a diretoria executiva ficará a cargo de Cleiton Luiz Custódio. A questão é saber até quando, já que as duas partes deixaram muito claro que a disputa apenas começou.























