Além deste saldo, talvez a pior notícia é que não há previsão para que o Paraná seja reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre de febre aftosa com vacinação.
Paraná amarga prejuízos de US$ 621 milhões com aftosa
Da Redação 22/10/2007 – As exportações de carne paranaense para os principais mercados importadores continuam embargadas, após primeiras suspeitas de febre aftosa em parte do rebanho estadual. Depois de exatos dois anos, a cadeia produtiva da carne acumula prejuízos – de cerca de US$ 621 milhões, de acordo com cálculos do Sindicato da Indústria das Carnes do Paraná (Sindicarnes) -, foram fechados cerca de 2 mil empregos, o rebanho foi reduzido e a capacidade industrial instalada opera com cerca de metade da produção.
Além deste saldo, talvez a pior notícia é que não há previsão para que o Paraná seja reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre de febre aftosa com vacinação. A retomada deste status vem sendo adiada há vários meses, desde o fim do "vazio sanitário" (período de seis meses sem criações animais após os sacrifícios do rebanho), que terminou em outubro do ano passado. Este status é considerado fator fundamental para que a maioria dos países passe a comprar a carne paranaense.
A expectativa do secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, é que a OIE libere o Paraná no início do próximo ano. "A OIE se reúne a cada seis meses e a próxima reunião está marcada para janeiro. O problema é que o Paraná está na microrregião do Mato Grosso do Sul e o relatório (feito pela Ministério da Agricultura) ainda não foi concluído", explica. Ele reconhece que dois anos sem exportar é muito tempo, mas que o "trabalho tem que ser feito conforme as regras".
Leia também no Agrimídia:
- •Alagoas coleta amostras em 462 aves para reforçar vigilância contra Influenza Aviária
- •Exportação de frango recua e milho avança no Oriente Médio em meio a tensões geopolíticas
- •Gestão, manejo e assistência técnica impulsionam eficiência na revista Suinocultura Industrial de Fevereiro
- •Produção de ovos no Brasil deve impulsionar setor em 2026, segundo anuário de Avicultura Industrial
Apesar dos embargos, Bianchini lembra que as exportações de aves "estão batendo recordes". "A suinocultura está aumentando e os frigoríficos (de carne bovina) estão retomando seus trabalhos e estamos fazendo um projeto de padronização dos cortes especiais", afirma. Ele acrescenta que, desde então, os trabalhos de sanidade estão sendo tratados como prioridade, com a contratação de novos técnicos, campanhas de vacinação, inclusive, na fronteira e informatização das guias de transporte animal (GTAs).
O fato é que, independente dos trabalhos desenvolvidos pelo Estado, a cadeia produtiva da carne perdeu mercado. Atualmente, o Paraná mantém negócios com 27 países, enquanto o País todo tem 137 destinos. Além da comparação, a carne produzida aqui vai para "mercados marginais", que compram em pequena quantidade e carnes menos nobres, portanto, mais baratos. Cálculos do Sindicarnes apontam que do total que deixou de ser exportado, 55% são de carne suína, 25% de carne bovina e 20% de frango.





















