Mauro Lopes diz que alta reflete também nas cotações internacionais do milho.
Alta no preço da carne não é sazonal, afirma coordenador do Ibre/FGV

A alta nos preços da carne não é sazonal, assim como a inflação dos alimentos, segundo avaliação do coordenador de Projetos do Centro de Estudos Agrícolas da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Mauro Lopes. Conforme o coordenador, “a carne, principalmente a bovina, vem mostrando há tempos que está subindo”, disse ele durante o Fórum Estadão – Brasil Competitivo: “A Sustentabilidade do Campo II”, na quinta-feira (10/4), rebatendo afirmações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o movimento de alta nos preços das proteínas é temporário.
Lopes atribui a pressão de alta da carne bovina ao aumento da renda do brasileiro, com programas de transferência de renda e reajustes do salário mínimo. “Tem essa pressão e a melhor coisa que se pode fazer é o governo não atrapalhar. Mas nós estamos vivendo, sim, pressão de alimentos”, afirmou.
O professor afirmou, ainda, que os preços das proteínas acabam refletindo as altas das cotações do milho na Bolsa de Chicago. O grão é o principal componente da alimentação de suínos, aves e bois de confinamento. “A cada 10% de alta do milho em Chicago, calcula-se que haja uma elevação de 5% no preço no mercado interno”, estimou. Lopes afirmou que o preço de US$ 5 por bushel de milho, atualmente observado na Bolsa de Chicago, “é elevado”.
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