Anuário de Suinocultura Industrial: Embrapa – Panorama da Suinocultura

Marcelo Miele
Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves
O desempenho positivo da suinocultura brasileira em 2024 consolidou a tendência iniciada ainda no segundo semestre do ano anterior. A oferta estável, o mercado interno aquecido e as crescentes exportações impulsionaram o aumento no preço do suíno vivo e da carne suína no varejo. A queda nos custos de produção complementou esse cenário, levando à recomposição das margens de lucro. O artigo aborda esse panorama da suinocultura no mundo e no Brasil, e também apresenta as estimativas de custos de produção que a Embrapa Suínos e Aves desenvolve com instituições parceiras.
Leia também no Agrimídia:
- •Preço do suíno despenca 16,1% em fevereiro e mercado acompanha impactos de tensão no Oriente Médio
- •Suinocultura reúne lideranças e projeta cenário de mercado para 2026 em encontro da FNDS Collab
- •Exportações de carne suína da União Europeia mantêm estabilidade e somam 4,3 milhões de toneladas em 2025
- •Comitê parlamentar do Reino Unido aponta falhas no controle de cargas de carne suína
Mundo
A produção mundial de carne suína em 2024 deve ser ligeiramente inferior ao ano anterior com 116 milhões de toneladas, com destaque para a redução da produção na China, no Canadá e nas Filipinas, a recuperação da produção na União Europeia (UE), bem como a continuidade do crescimento nos Estados Unidos e no Brasil. A previsão do USDA para 2025 aponta para a continuidade dessa redução na produção. O consumo mundial de carne suína em 2024 também será ligeiramente inferior ao verificado em 2023, influenciado sobretudo pela redução na China de 1,79 milhões de toneladas. Esse volume é uma vez e meia o aumento no consumo verificado nos dez principais mercados após o mercado chinês (EU, EUA, Rússia, Vietnã, Brasil, México, Japão, Coreia do Sul, Filipinas e Reino Unido). Importante destacar que o consumo de carne suína e de carne de frango apresentaram redução em relação ao ano anterior, ao contrário da carne bovina (USDA, 2024, disponível em https://apps.fas.usda.gov/psdonline/).
O comércio internacional de carne suína permanece abaixo do seu pico em 2020, quando foram exportadas 12,6 milhões de toneladas, ou 13% da produção. O USDA prevê para 2024 exportações globais de 10,3 milhões de toneladas (+2% em relação ao ano anterior), representando 9% da produção, e um pequeno aumento para 2025. As importações chinesas continuam sendo o principal determinante desse comportamento, com uma queda de 31% em relação ao ano anterior e retornando à configuração anterior à Peste Suína Africana (PSA) (Figuras 1 e 2). Os destaques no comércio internacional de carne suína foram o aumento das importações da Coreia do Sul, do México e das Filipinas, que passaram a absorver boa parte dos excedentes mundiais anteriormente destinados prioritariamente ao mercado chinês, que passou de primeiro para terceiro maior importador, bem como o aumento das exportações dos Estados Unidos, que passaram a UE e assumiram a primeira posição no ranking dos exportadores, refletindo o dinamismo e a competitividade da sua suinocultura (USDA, 2024, disponível em https://apps.fas.usda.gov/psdonline/).





















