Carne suína se valorizou mais que o frango em São Paulo, e o avanço do milho e da soja em setembro pode pressionar o custo da ração nos próximos meses
Alta de quase 15% no suíno vivo recupera margens, mas grãos mais caros acendem alerta

A suinocultura brasileira vive um momento de recuperação após meses de margens apertadas. Segundo dados do Cepea divulgados nesta sexta-feira (16), o preço do suíno vivo acumula alta de 14,71% na primeira quinzena de outubro. Somada ao recuo no custo da ração registrado nos meses anteriores, a valorização devolveu poder de compra ao produtor e abriu espaço para recompor o caixa das granjas e retomar investimentos.
Suíno mais caro que o frango
No atacado da Grande São Paulo, a carcaça especial suína e a carne bovina subiram bem mais que o frango, de acordo com o Cepea. Com as cotações da avicultura mais estáveis, o frango se firmou como a proteína mais barata para o consumidor. Esse cenário exige atenção da cadeia suinícola, porque uma diferença de preço muito grande entre as carnes pode levar parte do consumidor a trocar o suíno pelo frango.
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Custos voltam a subir
O alívio nas margens pode ser passageiro. O Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) subiu 3,62% em setembro em relação a agosto, puxado por uma alta de 6,58% nos grãos. Como milho e farelo de soja são a base da ração, o encarecimento tende a pressionar novamente os custos de produção. Se os preços do suíno não acompanharem esse movimento, a rentabilidade recém-recuperada pode voltar a cair.
Safra recorde como contrapeso
No médio prazo, o custo da ração vai depender da safra de verão. O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para o ciclo 2026/27 estima uma produção recorde de mais de 367 milhões de toneladas de grãos. A perspectiva de maior oferta de soja e milho pode ajudar a segurar os preços. Ainda assim, há fatores de incerteza, como os efeitos do El Niño sobre o plantio, os juros elevados e a demanda crescente por soja para a produção de biodiesel.
Com informações do Cepea e da Conab
























