Se os embargos se prolongarem, a produção catarinense que seria exportada pode ficar no mercado interno justamente no período de demanda mais fraca
Newcastle pode pressionar preço do frango no Brasil no início de 2027, avalia Itaú BBA

A combinação entre o aumento da produção de carne de frango e as restrições às exportações após o foco da doença de Newcastle em Santa Catarina pode pressionar os preços no mercado interno no início de 2027. A avaliação é do Itaú BBA, em relatório divulgado nesta quinta-feira (22).
Segundo a análise, o impacto para o setor brasileiro como um todo tende a ser limitado, mas pode ser mais forte para os produtores e frigoríficos catarinenses. Santa Catarina é o segundo maior produtor de frango do país e exporta cerca de 63% do que produz. Em 2025, o estado produziu cerca de 1,9 milhão de toneladas, 13,4% do total nacional, e exportou 1,2 milhão de toneladas, que renderam US$ 2,45 bilhões. Isso representa 22,5% do volume e 25% da receita das exportações brasileiras de frango.
Restrições
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Após a confirmação do foco em uma granja de perus em Nova Itaberaba, a China suspendeu 14 unidades catarinenses, entre as 61 plantas brasileiras habilitadas a exportar para o país. Arábia Saudita e Chile também restringiram as compras de Santa Catarina, enquanto México e Malásia suspenderam as importações de frango de todo o Brasil. De janeiro a setembro, a China respondeu por cerca de 10% das exportações brasileiras de frango, e a Arábia Saudita, terceiro maior destino, por cerca de 8%, com 327,8 mil toneladas.
Para o Itaú BBA, a duração dos embargos pode ser tão importante quanto o controle do foco. Se os embarques não forem retomados rapidamente, parte da produção pode ficar no mercado interno ou precisar ser armazenada por mais tempo, o que eleva os custos. Redirecionar as vendas para outros países reduz o efeito, mas exige renegociação de contratos, ajustes logísticos e afeta o caixa de frigoríficos e cooperativas.
Oferta maior e demanda sazonal fraca
O risco cresce porque a produção já está em alta. De janeiro a setembro, os abates de frango subiram 3,7%, e o volume de carne produzido, 6,2%. Para o ano, a expectativa é de crescimento próximo de 6%. Como a demanda costuma cair no primeiro trimestre, mais oferta no mercado interno pode levar os frigoríficos a dar descontos para escoar os estoques.
O relatório também aponta que uma eventual redução dos abates em Santa Catarina pode afetar a demanda por milho e farelo de soja, além de exigir ajustes nos alojamentos, nos contratos e na remuneração dos integrados. Ainda assim, o Itaú BBA considera que o efeito geral sobre o setor deve ser limitado, desde que não surjam novos focos e que as restrições sejam revistas gradualmente.
Com informações da CNN Brasil e do Itaú BBA
























