De acordo com o boletim da ABCS, a relação de troca com principais insumos volta a subir depois de muitos meses
Preço do suíno reage de forma consistente

Após de atingirem o fundo do poço em agosto/26, as cotações do suíno vivo e da carcaça voltaram a subir em todo Brasil. Ainda não temos dados detalhados de abate do terceiro trimestre, mas dados preliminares do SIF indicam que houve uma queda no ritmo de crescimento do abate em cabeças nos últimos 3 meses e há sinais de redução do peso das carcaças que, junto com o aquecimento da demanda, determinam um aumento significativo do preço pago ao produtor (gráficos 1 e 2).
Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados do CEPEA.
Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados do CEPEA.
No acumulado de nove meses do ano de 2026, as exportações totais de carne suína (in natura + processada) atingiram quase 1, 18 milhão de toneladas, superando em 6,23% os volumes do mesmo período de 2.025 (tabela 1). Embora, em setembro/26, tenha havido um recuo em relação a setembro do ano passado, na comparação com agosto/26 cresceu quase 4 mil toneladas.

Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados da SECEX.
A mesma desaceleração do crescimento da produção nacional em relação ao ano passado, observada nos últimos meses, está acontecendo com as exportações neste segundo semestre, coincidindo com a redução dos embarques para o principal destino de nossa carne suína: as Filipinas (tabela 2), que representam mais de 22% do total exportado entre janeiro e setembro/26 (tabela 3).
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Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados da SECEX.

Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados da SECEX.
No tocante ao custo de produção, no boletim de setembro já havíamos atribuído a alta do milho muito mais a uma expectativa de quebra de safra para a temporada 2026/27, em função do El Niño extremo esperado, do que à oferta presente do grão, cuja disponibilidade é mais que suficiente para atender o mercado doméstico e exportações. O plantio da primeira safra (verão) começou relativamente bem, dentro do prazo, apesar do excesso de umidade no Sul e a irregularidade das chuvas em algumas regiões do Centro-oeste. O primeiro levantamento da safra 2026/27 da CONAB, publicado semana passada, projeta safra recorde de soja (181,6 milhões de toneladas) e milho (148 milhões de toneladas). Todo este cenário contribuiu para a queda das cotações do milho no mês de outubro (gráfico 3).

Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados do CEPEA.
Com o milho em queda e o farelo de soja estabilizado, depois de praticamente um ano de queda na relação de troca entre o preço do suíno vivo e o mix destes dois insumos, em outubro/26 esta relação voltou a subir, se aproximando novamente do ponto de equilíbrio, a partir do qual as margens financeiras ficam positivas (gráfico 4).

Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja.
Média de agosto de 2026 até dia 20/10/2026.
Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, “Desde setembro a chave do mercado virou. O preço pago ao produtor pegou tração e não dá sinais de recuo no curto prazo. Com o mês de novembro se aproximando e a demanda crescente, as perspectivas para este restinho de ano são boas. O recuo das cotações do milho, com a safra verão ainda em fase de plantio, já permite operar com margens positivas. Para o ano que vem ainda é cedo para prever como o mercado se comportará, mas parece que o pior desta crise já passou”, conclui.
Fonte: ABCS
























