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Suspeita de caso atípico de ‘vaca louca’ em MT

Bovino sacrificado no Estado tinha sintomas semelhantes ao de animal de ocorrência registrada no Paraná.

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Quase um ano e meio após a divulgação de um caso atípico do mal da “vaca louca” no Paraná, o Ministério da Agricultura se vê às voltas com um caso bastante semelhante, desta vez em Mato Grosso, conforme já admitem fontes próximas do governo. Se a doença for mesmo confirmada, as exportações brasileiras de carne bovina podem ser prejudicadas, ainda que temporariamente.

De acordo com comunicado do Ministério da Agricultura, um bovino que apresentava sintomas de uma “doença nervosa” foi encontrado caído em um frigorífico de Mato Grosso. Diante dos sintomas, fiscais agropecuários abateram o animal e enviaram amostras do tecido nervoso para análise no laboratório nacional agropecuário.

Assim como no caso paranaense, o bovino de Mato Grosso tinha mais de dez anos de idade, o que reduz bastante a possibilidade de um caso clássico da “vaca louca”, cuja incidência maior ocorre em animais de 2 a 7 anos. Além disso, o Brasil nunca teve um caso clássico da doença e tem o status de risco “insignificante” concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Do ponto de vista sanitário, a diferença entre o tipo clássico e não clássico da doença degenerativa é muito relevante. No primeiro caso, mais grave, o bovino contrai o mal da “vaca louca” por meio de ração que contenha farinha de carne e ossos, o que é proibido no Brasil. Nesses casos, é maior a possibilidade de surto da doença.

No caso não clássico ou atípico, o animal contrai a doença degenerativa espontaneamente. A doença ocorre, em geral, em animais com idade acima de dez anos. Foi isso que ocorreu no caso paranaense, relatado pelo Ministério da Agricultura em dezembro de 2012. E agora, em Mato Grosso, “tudo indica que é um caso atípico”, disse uma fonte.

O diagnóstico oficial, porém, só deve sair após um exame que será feito no laboratório de referência de Waybrige, no Reino Unido. Segundo uma fonte, um técnico do ministério já levou as amostras do cérebro do animal para o laboratório. Em paralelo, o diretor do Departamento de Saúde Animal do ministério, Guilherme Marques, enviou os documentos referentes à suspeita para a OIE, como determina o protocolo.

A ocorrência do mal da “vaca louca” pode suscitar embargos, mesmo que o caso seja atípico. No fim de 2012, após o anúncio do caso do Paraná, pelo menos dez países impuseram algum tipo de embargo à carne bovina brasileira. China e Arábia Saudita, por exemplo, proibiram as importações de todo o Brasil. O Egito vetou apenas a carne do Paraná. A China, aliás, mantém seu embargo, ainda que compre a carne bovina brasileira via Hong Kong. Os sauditas também mantêm a barreira.

A eventual confirmação do mal da “vaca louca” em Mato Grosso pode ser mais prejudicial às exportações brasileiras do que foi o caso paranaense. Enquanto o Paraná é pouco representativo nas exportações, Mato Grosso é um dos principais exportadores de carne bovina do país. No primeiro trimestre deste ano, as vendas externas do Estado bateram o recorde para o período, com embarque de 85,7 mil toneladas de carne bovina em equivalente-carcaça e receita de US$ 300,6 milhões, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). No período, o principal comprador foi a China (via Hong Kong), que respondeu por quase 70% das exportações.

Uma fonte da indústria afirma que caso o animal de Mato Grosso seja diagnosticado com a doença, a reabertura de mercados como China e Arábia Saudita pode ser postergada. “Imagino que, nesse caso, haveria mercados fechando momentaneamente para reabrir quando houvesse todos os esclarecimentos. Mas a China e Arábia Saudita atrasariam a reabertura”.

O problema também pode ter algum reflexo na abertura dos EUA à carne bovina in natura do Brasil. O país encerrou na última terça-feira a consulta pública para abertura de seu mercado ao produto. Ainda que a maior preocupação dos americanos contrários à entrada da carne brasileira nos EUA seja com um suposto risco de contaminação pela febre aftosa, a abertura também poderia demorar um pouco mais do que o imaginado se houver um novo caso atípico de “vaca louca”, admitiu outra fonte ligada à indústria.

Procurada, a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec) não retornou as ligações da reportagem.

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