Análise econômica Suinocultura: preços divergentes e desafios no mercado da carne

O mercado da suinocultura brasileira encerra o mês de fevereiro com um mosaico de tendências, refletindo a complexidade e a volatilidade do setor. Em um cenário onde a produção e o consumo de carne suína desempenham um papel crucial na economia nacional, a semana que se encerra revela um equilíbrio delicado entre a oferta e a demanda, com variações regionais que evidenciam as particularidades de cada mercado. As oscilações nos preços do suíno vivo, observadas em diferentes estados, sinalizam a sensibilidade do setor aos fatores conjunturais, enquanto os desafios enfrentados na comercialização da carne suína alertam para a necessidade de estratégias eficientes e adaptadas às demandas do mercado. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) embasam a presente análise, que busca aprofundar a compreensão sobre o panorama econômico da suinocultura, destacando os principais indicadores, as tendências de mercado e os desafios enfrentados pelos produtores e pela indústria.



Análise da semana:
- Em São Paulo, a firme demanda da indústria sustentou as cotações, mantendo os preços relativamente estáveis.
- No Paraná, observou-se uma queda nos valores, reflexo do enfraquecimento da procura e da redução nas aquisições de novos lotes pelos frigoríficos.
- Em Minas Gerais, o mercado apresentou estabilidade, com equilíbrio entre oferta e demanda locais.
Comparativo semanal:
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- Na semana anterior, o mercado suinícola vivenciou um forte movimento de alta nos preços, impulsionado pela oferta reduzida de animais em peso ideal para abate e pela demanda aquecida, tanto interna quanto externa.
- Em São Paulo, a valorização do suíno vivo posto na indústria superou os 8%.
- No Sudoeste Paranaense, o aumento em sete dias ultrapassou os 10%.
- O mercado atacadista da carne acompanhou a alta do animal vivo, com boa liquidez.
Desafios na comercialização da carne:
Agentes consultados pelo Cepea relataram dificuldades na comercialização da carne suína, possivelmente associadas aos elevados patamares da proteína no atacado e às recentes desvalorizações da carne bovina.
Perspectivas:
Para o futuro, o setor suinícola deve se manter atento às oscilações do mercado, tanto no âmbito nacional quanto internacional. As exportações, que têm se mostrado um importante motor para o setor, devem continuar sendo acompanhadas de perto, assim como o comportamento do mercado interno. A busca por maior eficiência na produção, com foco na redução de custos e na sustentabilidade, será fundamental para garantir a competitividade do setor. Além disso, a atenção às demandas dos consumidores, que buscam cada vez mais produtos de qualidade e com origem rastreável, será um diferencial importante.
Fatores que influenciam o mercado:
- Oferta e demanda: O equilíbrio entre a quantidade de suínos disponíveis e a procura por carne suína é um fator determinante para os preços.
- Custos de produção: Os preços dos insumos, como ração e energia, impactam diretamente os custos de produção e, consequentemente, os preços finais.
- Exportações: A demanda externa por carne suína brasileira influencia significativamente o mercado interno.
- Concorrência com outras proteínas: A disponibilidade e os preços de outras proteínas, como carne bovina e de frango, afetam a demanda por carne suína.
Aquicultura: crescimento recorde em 2024, impulsionada pela tilápia

A aquicultura brasileira vive um momento de expansão notável, com a produção de pescado atingindo um patamar histórico em 2024. Segundo dados do Anuário da Piscicultura 2025, o setor registrou um crescimento de 9,2% em relação ao ano anterior, totalizando 968.745 toneladas produzidas.
O grande destaque desse crescimento foi a tilápia, que apresentou um aumento expressivo de 14,36% na produção, alcançando a marca de 662.230 toneladas. Outras espécies também contribuíram para o resultado positivo, com um crescimento de 7,5% na produção. No entanto, a produção de peixes nativos registrou uma leve queda de 1,8%. Apesar disso, a alta nos preços garantiu a lucratividade dos piscicultores.
Maior produção em 10 anos e aumento do consumo interno
O cultivo de peixes em 2024 foi o maior dos últimos 10 anos, com um crescimento total de 51,8%. O presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, atribui esse resultado ao aumento da demanda interna. “Definitivamente, o brasileiro aprendeu a apreciar nossos peixes. Assim como na parte norte do país, a tilápia assumiu relevância indiscutível no centro-sul, tornando-se presença semanal no prato e na alimentação das famílias brasileiras. Essa consistência da demanda é um ingrediente essencial para o contínuo aumento da produção dessa proteína animal que mais cresceu na última década”, afirmou Medeiros.
O Anuário da Piscicultura 2025 reforça o potencial da piscicultura brasileira e sua importância para a segurança alimentar do país.

Perspectivas:
O setor da aquicultura brasileira demonstra um forte potencial de crescimento, impulsionado pela demanda interna e pela produção eficiente de tilápia. A tendência é de que o consumo de pescado continue aumentando, impulsionado pela busca por alimentos saudáveis e pela crescente valorização da culinária brasileira. O setor deve continuar investindo em tecnologia e sustentabilidade para garantir o crescimento contínuo e a competitividade no mercado global.
Fatores que influenciam o mercado:
- Demanda interna crescente por pescado.
- Avanços tecnológicos na produção de tilápia.
- Potencial de expansão das exportações.
- Aumento da conscientização sobre os benefícios do consumo de pescado.
- Políticas públicas de incentivo ao setor.
Grãos: Soja, Milho e Trigo com dinâmicas distintas em fechamento de fevereiro

O mercado de grãos no Brasil apresenta um cenário diversificado no encerramento de fevereiro, com a soja em compasso de espera, o milho em ascensão e o trigo mantendo a tendência de alta. Produtores e compradores adotam posturas cautelosas, refletindo as incertezas climáticas e as expectativas de oferta.
Soja: produtores cautelosos e compradores expectantes
Produtores brasileiros, focados na colheita da soja, demonstram cautela nas negociações, aguardando definições sobre a tendência de preços. A incerteza se deve às condições climáticas adversas na Argentina e no Paraguai, que podem impactar a oferta e favorecer as vendas brasileiras. Compradores, por sua vez, adquirem pequenos volumes para suprir necessidades imediatas, na expectativa de melhores oportunidades com a safra recorde no Brasil.
Confira os valores da soja (27/02):
- Paranaguá: R$ 134,35
- Paraná: R$ 127,33
Milho: alta impulsionada pela menor disponibilidade e demanda aquecida
Os preços do milho registraram altas expressivas na última semana, impulsionadas pela menor disponibilidade do cereal no mercado spot e pelo aumento do interesse dos compradores. Vendedores, atentos às valorizações e à demanda aquecida, retraem-se do mercado, enquanto os consumidores enfrentam dificuldades para recompor seus estoques. A colheita da safra de verão avança, favorecida pelo clima seco e quente.
- O valor do milho (27/02) é de R$ 87,68
Trigo: dificuldades de aquisição e expectativas de alta
Os preços do trigo em grão seguem em alta no Brasil, com compradores enfrentando dificuldades para encontrar cereal de qualidade no mercado spot e priorizando aquisições externas. Vendedores, com estoques baixos, aguardam novas valorizações. As negociações de trigo de qualidade superior estão limitadas. No campo, os produtores iniciam o planejamento da nova safra, com dados oficiais apontando redução de área, mas expectativa de aumento de produtividade.
Confira os valores do trigo (27/02):
- Paraná: R$ 1.500,17
- Rio Grande do Sul: R$ 1.338,62
Perspectivas:
A soja se encontra em um momento de expectativa, com produtores e compradores aguardando definições climáticas e de oferta que influenciarão as negociações; o milho mantém sua trajetória de alta, impulsionado pela demanda aquecida e pela menor disponibilidade no mercado, enquanto a colheita da safra de verão avança; e o trigo segue em tendência de alta, com dificuldades de aquisição no mercado interno e a expectativa de novas valorizações, refletindo a entressafra e a busca por grãos de qualidade superior.
Fatores que influenciam o mercado:
- Condições climáticas nas principais regiões produtoras.
- Níveis de oferta e demanda no mercado interno e externo.
- Variações cambiais e preços internacionais dos grãos.
- Logística de escoamento da produção.





















