Análise econômica Suinocultura: queda nos preços internos e recorde nas exportações marcam a semana

A semana na suinocultura brasileira foi marcada por uma dualidade: enquanto o mercado interno enfrenta uma queda nos preços, as exportações atingiram números históricos em fevereiro.
Mercado interno: preços em queda
Após um fevereiro de altas nominais, os preços do suíno vivo e da carne suína iniciaram março em queda. Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que a redução na demanda por parte dos compradores, devido à baixa liquidez nas vendas da carne, é o principal fator para essa retração.




Competitividade da carne suína:
- Em fevereiro, a competitividade da carne suína diminuiu em relação às principais concorrentes, carne bovina e de frango.
- No atacado da Grande São Paulo, os preços da carne suína subiram mais que os da carne de frango, enquanto a carcaça bovina se desvalorizou.
Exportações: recorde histórico em fevereiro
Em contrapartida ao cenário interno, as exportações brasileiras de carne suína (in natura e processada) registraram recordes históricos para o mês de fevereiro, segundo a série histórica da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), iniciada em 1997.
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Dados das exportações (fevereiro/2025):
- Volume exportado: 113,1 mil toneladas
- Aumento de 8,1% em relação a janeiro/25
- Aumento de 16,8% em relação a fevereiro/24
Perspectivas:
A recuperação da demanda interna é crucial para a sustentação dos preços. A evolução do poder de compra da população e o desempenho da economia nacional serão determinantes nesse processo. O cenário internacional favorável, com a demanda aquecida nos mercados internacionais, especialmente na China, deve continuar impulsionando as exportações. O aprimoramento da eficiência produtiva, com a busca por maior eficiência na produção e a redução de custos, são essenciais para aumentar a competitividade do setor. O fortalecimento da imagem da carne suína, com a promoção da carne suína como uma opção saudável e saborosa, é crucial para conquistar novos consumidores e fidelizar os já existentes.
Fatores que influenciam o mercado:
- Custos de produção: Os preços dos grãos (milho e soja) e outros insumos impactam diretamente a rentabilidade dos produtores.
- Sanidade animal: A manutenção do status sanitário do rebanho suíno é fundamental para garantir o acesso aos mercados internacionais.
- Taxa de câmbio: A variação cambial influencia a competitividade das exportações.
- Concorrência com outras proteínas: A disputa com as carnes bovina e de frango exige que o setor suinícola invista em qualidade e diferenciação.
- Políticas governamentais: As políticas de apoio ao setor, como linhas de crédito e incentivos fiscais, podem impulsionar o desenvolvimento da suinocultura.
Aquicultura: preços da tilápia em recuperação e expectativas para a Quaresma

O mercado de peixes de cultivo no Brasil apresenta sinais de recuperação nos preços da tilápia, impulsionados pela proximidade da Quaresma e pela diminuição da oferta. No entanto, desafios persistem em algumas regiões, como o oeste do Paraná, onde o excesso de peixes grandes e problemas sanitários impactam os produtores independentes.
Indicador Peixe BR e cotações da tilápia
Segundo Francisco Medeiros, presidente executivo da Peixe BR, o indicador Peixe BR revela uma tendência de recuperação nos preços pagos aos produtores de tilápia na maioria das praças. As cotações do Cepea, referentes ao dia 7 de março, confirmam essa tendência:

Destaques regionais
- Na região dos Grandes Lagos, houve um aumento de R$ 0,07 no preço médio, atingindo R$ 7,71.
- Em Morada Nova de Minas, o preço médio subiu R$ 0,09, chegando a R$ 8,02.
- No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, o aumento foi de R$ 0,04, com o preço médio em R$ 7,97.
- O norte do Paraná registrou uma redução de R$ 0,11, com o preço médio em R$ 8,67.
- No oeste do Paraná, a redução foi de R$ 0,09, com o preço médio em R$ 7,49.
Desafios no oeste do Paraná
A região oeste do Paraná enfrenta dificuldades devido ao excesso de peixes grandes, que apresentam dificuldades de comercialização. Além disso, o calor intenso tem provocado problemas sanitários e mortalidade, afetando principalmente os produtores independentes.
Expectativas para a Quaresma
A Quaresma, que se iniciou recentemente, tem impulsionado a demanda por peixes, beneficiando tanto a tilápia quanto os peixes nativos. A expectativa é de que a demanda continue aquecida durante todo o período, proporcionando boas oportunidades para os produtores.
Comércio internacional e a tilápia chinesa
O mercado internacional também está no radar da aquicultura brasileira. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou a possibilidade de taxar a tilápia chinesa em 40% a 45%. Caso essa medida se concretize e a tilápia brasileira não seja taxada, o Brasil poderá ter uma grande oportunidade de expandir suas exportações para o mercado americano. Na próxima semana, a maior feira de comercialização de pescado das Américas será realizada, e a expectativa é de que haja uma definição sobre as tarifas, permitindo que os empresários brasileiros tomem decisões estratégicas.
Perspectivas:
A expectativa é de que a demanda por tilápia continue aquecida durante a Quaresma, impulsionando os preços. A possível taxação da tilápia chinesa nos Estados Unidos representa uma grande oportunidade para o Brasil expandir suas exportações.
Fatores que influenciam o mercado:
- Demanda sazonal: A Quaresma é um período de alta demanda por peixes, o que influencia positivamente os preços.
- Oferta: A diminuição da oferta, seja por problemas sanitários ou outros fatores, tende a elevar os preços.
- Custos de produção: Os custos com ração, energia e outros insumos impactam a rentabilidade dos produtores.
- Comércio internacional: As políticas de importação e exportação de outros países podem afetar o mercado brasileiro.
- Condições climáticas: O calor intenso pode causar problemas sanitários e mortalidade, afetando a oferta.
Grãos: Soja em alta com demanda internacional, Milho firme e Trigo com importações crescentes

A semana no mercado de grãos brasileiro foi marcada por movimentações significativas nos preços e na demanda, com destaque para a soja, que viu suas negociações aquecidas devido à demanda internacional.
Soja: demanda internacional impulsiona negociações e prêmios de exportação
Levantamentos do Cepea indicam um aumento nas negociações de soja no mercado spot nacional na última semana. Esse movimento é impulsionado pelo crescimento da oferta e pela maior presença de compradores, especialmente externos. A demanda internacional aquecida está diretamente ligada ao agravamento do conflito comercial entre Estados Unidos e China. O governo chinês anunciou tarifas adicionais de 10% para produtos agropecuários americanos, incluindo a soja.
Com isso, espera-se que os consumidores asiáticos redirecionem suas compras para a América do Sul, com o Brasil como principal destino, por ser o maior produtor e exportador mundial de soja. Como reflexo, os prêmios de exportação já começaram a subir no país. No porto de Paranaguá (PR), o prêmio de exportação de soja está sendo ofertado a 85 centavos de dólar/bushel para embarque em março/25, o maior valor desde 2022.
Confira os valores da soja (13/03):
- Paranaguá: R$ 134,88
- Paraná: R$ 128,07
Milho: preços firmes com oferta limitada e expectativas para a segunda safra
Os preços do milho se mantiveram firmes na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea, embora com menor intensidade de alta na última semana. Compradores brasileiros continuam ativos, mas enfrentam dificuldades para adquirir novos lotes devido à baixa disponibilidade e aos altos valores pedidos pelos vendedores. Estes, por sua vez, limitam a oferta, esperando novas valorizações, influenciados pelas incertezas da segunda safra, que apresenta ritmo de semeadura abaixo da temporada anterior.
Para tentar reduzir os preços, o governo brasileiro anunciou a retirada da taxa de importação de milho nos próximos dias. Na safra 2023/24, foram importadas 1,7 milhão de toneladas, representando apenas 1,4% da oferta total (estoques iniciais, produção e importação, segundo a Conab).
- O valor do milho (13/03) é de R$ 89,88
Trigo: importações crescentes e preços em alta
Os preços do trigo continuaram a subir no mercado brasileiro. A retração dos vendedores limita a oferta, enquanto compradores com dificuldades em adquirir trigo de alta qualidade optam por importar. As importações de fevereiro, apesar de menores que em janeiro, cresceram em relação ao ano anterior. Foram importadas 582,2 mil toneladas, 18,8% a menos que em janeiro/25, mas 10% a mais que em fevereiro/24, segundo dados da Secex. Nos últimos 12 meses, foram adquiridas 6,8 milhões de toneladas, o maior acumulado desde junho/19.
Confira os valores do trigo (13/03):
- Paraná: R$ 1.520,74
- Rio Grande do Sul: R$ 1.377,99
Perspectivas:
A demanda internacional aquecida, especialmente da China, deve manter os preços da soja em alta. A valorização do dólar frente ao real também pode impulsionar as exportações. A segunda safra de milho será determinante para a oferta e os preços do cereal. As condições climáticas e o ritmo de semeadura serão fatores cruciais. A retirada da taxa de importação de milho pode aumentar a oferta e pressionar os preços para baixo. A demanda por trigo de qualidade deve continuar impulsionando as importações.
Fatores que influenciam o mercado:
- Clima: As condições climáticas nas principais regiões produtoras de grãos do Brasil e do mundo impactam diretamente a produção e a oferta.
- Demanda internacional: A demanda por grãos, especialmente da China, influencia os preços e as exportações.
- Taxa de câmbio: A variação cambial afeta a competitividade das exportações brasileiras.
- Políticas governamentais: As políticas de importação e exportação, os programas de apoio à produção e as tarifas alfandegárias influenciam o mercado.
- Custos de produção: Os preços dos insumos, como fertilizantes e defensivos agrícolas, impactam a rentabilidade dos produtores.





















