Análise econômica Suinocultura: milho em alta, suíno vivo em queda e exportações em recorde

A semana na suinocultura brasileira foi marcada por contrastes significativos, com o aumento expressivo dos preços do milho gerando preocupação no setor, enquanto o suíno vivo registrou queda nos valores. Por outro lado, as exportações de carne suína alcançaram números recordes em fevereiro.
Milho: alta preocupante
O preço do milho continua em ascensão, atingindo patamares que não eram vistos desde abril de 2022. Segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o cereal negociado na região de Campinas (SP) acumulou alta de 24% na parcial de 2025 (até 18 de março). Nesta semana, o valor médio da saca de 60 kg chegou a R$ 90, impulsionado pelos baixos estoques e pela demanda aquecida.
Suíno vivo: queda nos preços
Em contrapartida, os preços do suíno vivo apresentaram queda em diversas regiões do país, reflexo da oferta superior à demanda de frigoríficos. Os valores médios registrados nesta semana foram:
Leia também no Agrimídia:
- •Carne suína registra menor preço desde abril de 2024 e ganha competitividade frente a frango e boi
- •Parceria público-privada garante investimentos e modernização da estação quarentenária de suínos até 2030
- •Erro em mapa da PSA provoca suspensão temporária da carne suína espanhola
- •Síndromes respiratórias, sanidade e cenário global marcam a edição de fevereiro da Revista Suinocultura Industrial




Comparativo com a semana anterior:
Na semana anterior (13 de março), o Cepea já havia apontado uma tendência de queda nos preços do suíno vivo e da carne, após atingirem máximas nominais em fevereiro. A redução na aquisição de novos lotes pelos compradores, devido à baixa liquidez nas vendas da carne, foi o principal fator para essa queda.
Exportações: recorde em fevereiro
Apesar da queda nos preços internos, o setor suinícola brasileiro celebrou o desempenho das exportações em fevereiro. De acordo com a série histórica da Secex, o volume escoado e a receita obtida atingiram recordes para o mês. Nos 20 dias úteis de fevereiro, foram embarcadas 113,1 mil toneladas de carne suína (in natura e processada), um aumento de 8,1% em relação a janeiro/25 e de 16,8% em comparação com fevereiro/24.
Perspectivas:
A alta do milho representa um desafio para a suinocultura, impactando diretamente os custos de produção. A queda nos preços do suíno vivo, por sua vez, exige atenção dos produtores para equilibrar a oferta e a demanda. As exportações, com o desempenho positivo, continuam sendo um importante motor para o setor.
Fatores que influenciam o mercado:
- Custos de produção: A alta do milho, por exemplo, eleva os custos e pressiona a rentabilidade.
- Oferta e demanda: O equilíbrio entre a produção interna e o consumo, tanto interno quanto externo, define os preços.
- Cenário econômico: Taxa de câmbio, inflação e crescimento econômico impactam o setor.
- Fatores climáticos e sanitários: Condições climáticas e a ocorrência de doenças afetam a produção.
- Políticas governamentais: Crédito, regulamentação e acordos comerciais influenciam a competitividade.
Aquicultura: preços da tilápia disparam e exportações batem recordes

O setor da aquicultura brasileira demonstra um vigoroso crescimento, impulsionado pelo aumento da demanda interna e pelo aquecimento das exportações. Dados recentes da Scot Consultoria e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam um cenário promissor para os produtores e exportadores de pescado.
Preços da tilápia em alta:
O mercado da tilápia, principal produto da aquicultura nacional, apresenta um comportamento positivo. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o preço pago ao produtor registrou um aumento de 1,0% na última quinzena, atingindo R$8,32/kg. No atacado, a tilápia inteira teve alta de 0,9%, cotada a R$10,91/kg, enquanto o filé de tilápia, com a maior valorização, alcançou R$37,86/kg, um aumento de 1,8%.
A expectativa é que a demanda aquecida durante o período da Quaresma mantenha os preços elevados no atacado. Fontes consultadas pela Scot Consultoria relatam um aumento nas vendas de até 30,0%, impulsionado pelo maior consumo de pescado pela população.
Exportações em ritmo acelerado:
As exportações de pescado também apresentam um desempenho notável. Em fevereiro de 2025, o Brasil exportou uma média diária de 46,0 toneladas, um aumento de 25,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O faturamento por tonelada também cresceu 20,1%, passando de US$7,1 mil para US$8,6 mil.
Os dados preliminares da balança comercial da primeira semana de março indicam um ritmo ainda mais intenso, com uma média diária de 89,6 toneladas exportadas, um aumento de 142,9% em relação a março de 2024.
Cenário promissor para 2025:
O ritmo aquecido das exportações desenha um cenário otimista para o setor em 2025. A recente imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos em outros países pode impulsionar ainda mais as exportações brasileiras, já que os americanos são os maiores compradores de tilápia do Brasil, o principal produto de exportação do país.

Perspectivas:
O setor da aquicultura brasileira vislumbra um futuro promissor, impulsionado pelo crescimento contínuo da demanda interna e externa, avanços tecnológicos que aumentam a eficiência e competitividade, e a crescente preocupação com a sustentabilidade, que abre espaço para práticas mais responsáveis. A diversificação dos mercados de exportação, com foco na Ásia e Europa, e o aumento dos investimentos em infraestrutura e pesquisa, fortalecem ainda mais o cenário otimista para o setor.
Fatores que influenciam o mercado:
- Demanda interna: O aumento do consumo de pescado, especialmente durante a Quaresma, impulsiona os preços.
- Exportações: O mercado internacional, com destaque para os Estados Unidos, exerce grande influência sobre o setor.
- Taxa de câmbio: A variação do dólar em relação ao real afeta a competitividade das exportações.
- Políticas comerciais: A imposição de tarifas por outros países pode abrir novas oportunidades para o Brasil.
- Custos de produção: Variações nos custos de ração, energia e outros insumos impactam a rentabilidade dos produtores.
Grãos: Soja em colheita recorde, Milho em alta e Trigo com preços sustentados

O mercado de grãos no Brasil segue movimentado, com a colheita da soja avançando em ritmo acelerado, os preços do milho em alta e o trigo sustentando seus valores.
Soja: colheita recorde e negócios aquecidos
A colheita da soja segue em ritmo acelerado nas principais regiões produtoras do Brasil. Segundo análise do Cepea, a produtividade elevada vem se confirmando, reforçando a estimativa de produção recorde no país. A Conab estima a produção nacional em 167,37 milhões de toneladas, 0,8% a mais que a previsão de fevereiro e 13,3% superior à safra 2023/24. Até 9 de março, 56,3% da área já havia sido colhida. Com a oferta do grão aumentando e compradores mais ativos, os negócios para entrega imediata se aqueceram.
Confira os valores da soja (20/03):
- Paranaguá: R$ 133,32
- Paraná: R$ 127,99
Milho: preços em alta e estoques Reduzidos
Os preços do milho continuam em alta na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea, impulsionados pela combinação de estoques baixos e demanda aquecida. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) se aproximou de R$ 90/saca de 60 kg, patamar não visto desde abril de 2022. Dados da Conab indicam que os estoques iniciais da safra 2024/25 são de apenas 2,04 milhões de toneladas, representando apenas 2,4% do consumo anual do mercado interno, estimado em 86,97 milhões de toneladas.
- O valor do milho (20/03) é de R$ 90,08
Trigo: preços sustentados e importações em destaque
Os preços do trigo seguem em alta no Brasil, sustentados pela disponibilidade limitada do cereal no mercado doméstico durante o período de entressafra. Com vendedores retraídos e compradores ativos, muitos demandantes têm recorrido às importações, que apresentam valores atrativos. A Conab prevê um aumento de 15,6% na produção de trigo em 2025, totalizando 9,117 milhões de toneladas, com recuperação da produtividade e redução da área plantada.
Confira os valores do trigo (20/03):
- Paraná: R$ 1.526,50
- Rio Grande do Sul: R$ 1.423,46
Perspectivas:
As perspectivas para o mercado de grãos em 2025 são mistas. A colheita recorde de soja deve manter a oferta elevada, pressionando os preços, enquanto o milho deve continuar com preços em alta, devido aos estoques baixos e à demanda aquecida. O trigo, por sua vez, deve manter seus preços sustentados, com a demanda sendo suprida por importações. A volatilidade do câmbio e as incertezas climáticas podem influenciar o mercado, exigindo atenção dos produtores e compradores.
Fatores que influenciam o mercado:
- Oferta e demanda: A disponibilidade dos grãos e a demanda interna e externa são determinantes para a formação dos preços.
- Clima: As condições climáticas influenciam diretamente a produção e a qualidade dos grãos.
- Câmbio: A taxa de câmbio afeta a competitividade das exportações.
- Estoques: Os níveis de estoque impactam a disponibilidade dos grãos no mercado.
- Políticas governamentais: As políticas agrícolas e comerciais influenciam a produção e o comércio dos grãos.





















