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Oferta de carne suína cresce acima das exportações e pressiona preços

Dados do IBGE mostram aumento da produção no primeiro trimestre e manutenção das margens negativas para produtores

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Oferta de carne suína cresce acima das exportações e pressiona preços

O aumento da produção de carne suína no Brasil está gerando uma oferta superior à capacidade de absorção do mercado interno, mesmo diante do crescimento das exportações em 2026. A avaliação é baseada nos dados definitivos do primeiro trimestre divulgados pelo IBGE, que apontam forte expansão do abate e da produção de carcaças.

Nos três primeiros meses do ano, a produção de carne suína cresceu 6,93% em relação ao mesmo período de 2025, com um acréscimo de 92,4 mil toneladas de carcaças. O número de animais abatidos aumentou 5,49%, totalizando quase 795 mil cabeças a mais que no ano anterior.

Os dados também mostram aumento no peso médio das carcaças, que passou de 90,93 quilos em dezembro de 2025 para 93,54 quilos em março deste ano. O movimento sugere retenção de animais nas granjas antes do envio para o abate.

Exportações não absorvem toda a produção

Embora as exportações de carne suína in natura tenham registrado crescimento expressivo de 15,15% no primeiro trimestre, com embarques adicionais de 44,1 mil toneladas, o avanço não foi suficiente para absorver todo o aumento da produção.

Como resultado, a disponibilidade de carne suína no mercado doméstico cresceu 48,2 mil toneladas no período, o equivalente a uma alta de 4,63% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Março foi o mês de maior pressão sobre a oferta interna, com incremento de 22,8 mil toneladas disponíveis no mercado nacional.

Preços seguem em queda

O aumento da oferta ajuda a explicar a trajetória de queda das cotações observada desde o início do ano. Os preços do suíno vivo e da carcaça continuaram recuando ao longo de abril, maio e na primeira quinzena de junho.

Segundo a análise, a situação foi agravada pela desaceleração do ritmo de crescimento das exportações no segundo trimestre. Até a primeira metade de junho, os embarques de carne suína in natura avançavam apenas 5,8% sobre o mesmo período de 2025, percentual insuficiente para equilibrar o crescimento da produção.

Especialistas apontam que, para evitar aumento da oferta interna, as exportações precisariam crescer em ritmo significativamente superior ao da produção.

Custos recuam, mas rentabilidade continua negativa

A chegada da segunda safra de milho ao mercado contribuiu para a redução dos custos de alimentação animal, principal componente das despesas da atividade. Os preços do milho seguem em queda, enquanto o farelo de soja apresenta estabilidade.

Apesar disso, a redução dos custos não tem sido suficiente para compensar a desvalorização do suíno. A relação de troca entre o preço do animal e os insumos permanece desfavorável, ampliando as perdas dos produtores independentes.

Levantamentos do setor mostram que abril e maio foram marcados por prejuízos para os suinocultores nos três estados da Região Sul, principal polo produtor do país.

Setor aguarda reação do mercado

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), o mercado pode estar próximo de encontrar um ponto de equilíbrio. Nas últimas semanas, algumas regiões passaram a registrar estabilidade e até leves reações nos preços pagos ao produtor.

Ainda assim, o setor avalia que será necessário um crescimento mais forte da demanda interna e das exportações para absorver o aumento da produção e permitir a recuperação das margens da atividade nos próximos meses.

Fonte: ABCS, com edição Agrimídia

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