Desembarques do grão no país asiático devem registrar o menor volume em mais de dois anos, elevando custos do farelo
Retração nas importações de soja pressiona fabricantes de ração suína na China

As compras externas de soja por parte da China dão sinais de forte desaceleração, com projeções indicando o menor patamar de volume em mais de dois anos. O cenário intensifica a restrição de oferta do farelo de soja, principal componente proteico na formulação de ração animal, e acentua as dificuldades operacionais das indústrias voltadas à nutrição de suínos no território chinês.
Projeções de volume e fatores de retração
Estimativas apontam que o recebimento do grão pela China, maior compradora global da commodity, deve se situar na casa de 5 milhões de toneladas. Caso esse montante se confirme, o resultado representará o fluxo de entrada mais baixo desde o primeiro trimestre de 2020.
A dinâmica de retração no comércio internacional está atrelada ao desempenho financeiro das indústrias processadoras locais. De acordo com análises de consultorias do segmento, as margens de esmagamento da oleaginosa operam em terreno negativo há vários meses, fator que desestimulou a originação de novas cargas no mercado externo.
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Impactos nos preços do farelo e da carne suína
A soja importada passa pelo processo de moagem para a geração de óleo vegetal e de farelo de soja. Diante do desabastecimento atual, os preços do farelo no mercado doméstico chinês mostram tendência de negociação perto de patamares recordes, pressionando os fabricantes de ração que já lidam com margens de lucro deprimidas e enfrentam dificuldades para suprir a demanda da cadeia pecuária.
Embora o recuo nas compras chinesas exerça um peso negativo sobre os contratos futuros da oleaginosa na Bolsa de Chicago, a valorização expressiva do farelo tende a ser repassada para o consumidor final na forma de aumento nos preços da carne suína, a proteína animal mais consumida no país. O movimento dá sequência a um histórico recente de valorização no setor de proteína de suínos, cujas cotações acumularam alta superior a 40% a partir do encerramento do primeiro trimestre.
Fonte: Reuters























