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Pesquisa e desenvolvimento

Embrapa mapeia genes associados à torção de mesentério em suínos

Pesquisa identifica 52 regiões genômicas ligadas à síndrome que é uma das principais causas de morte súbita na terminação

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Embrapa mapeia genes associados à torção de mesentério em suínos

A torção do mesentério (TM) — também conhecida como Síndrome do Intestino Hemorrágico — figura há anos entre os gargalos mais frustrantes da suinocultura industrial. Por atingir animais saudáveis e de rápido crescimento no final do ciclo produtivo (entre 4 e 6 meses de idade), a patologia gera prejuízos econômicos severos.

Para solucionar o problema, cientistas da Embrapa Suínos e Aves, em parceria com o programa de melhoramento genético da BRF S.A., conduziram estudos genômicos pioneiros (Padilha et al., 2024, 2025). O grupo conseguiu mapear, pela primeira vez, a influência da genética na ocorrência da síndrome, abrindo caminho para a seleção de reprodutores mais resistentes.

O “inimigo silencioso” da terminação

A torção ocorre quando as alças intestinais giram de 180° a 360° em torno do próprio eixo, bloqueando o fluxo sanguíneo. O resultado é uma distensão abdominal severa e a morte rápida do animal, quase sempre sem sinais clínicos prévios.

Nas granjas comerciais, a TM responde por 0,9% a 4% das mortes nas fases de crescimento e terminação. A análise da Embrapa baseou-se em um robusto banco de dados históricos de 66.887 suínos da raça Large White. A pesquisa constatou uma frequência média da doença de 2,46%, com algumas particularidades de campo:

  • Mais comum em fêmeas: Cerca de 63,75% dos casos anuais ocorreram em fêmeas, que são alojadas em baias coletivas.

  • Gatilho comportamental: O ambiente coletivo estimula a disputa por liderança e comida. Aves ou suínos submissos que passam períodos sem comer acabam ingerindo grande volume de ração rapidamente quando ganham acesso ao cocho, gerando gases que favorecem a torção.

  • Fator climático: Mais da metade dos episódios (53,32%) concentrou-se nas estações quentes (primavera-verão), período em que os suínos reduzem o consumo diurno e comem em excesso durante a noite.

Mapeamento genômico identifica 18 genes-chave

Embora os fatores de manejo (como falhas no fornecimento de ração e estresse social no desmame) sejam gatilhos importantes, a pesquisa comprovou que a genética desempenha um papel crucial. Através de um Estudo de Associação Genômica Ampla (GWAS), foram identificadas 52 regiões genômicas distribuídas em 15 cromossomos diferentes associadas à vulnerabilidade para TM.

A partir dessas regiões, os cientistas isolaram 18 genes principais envolvidos em processos biológicos vitais para o trato gastrointestinal, tais como:

  • Morfogênese embrionária do intestino e diferenciação celular;

  • Manutenção da barreira epitelial e permeabilidade intestinal;

  • Comportamento alimentar e motilidade/trânsito intestinal.

Seleção genética como solução definitiva

Os coeficientes de herdabilidade estimados ficaram entre 0,12 e 0,13. Embora o número pareça baixo — indicando que o ambiente e o manejo ainda respondem pela maior parte dos casos —, ele confirma que a seleção genética é uma ferramenta real e viável a longo prazo.

Diferente das correções de manejo, que exigem esforço contínuo diário, os ganhos obtidos pela seleção genética são transmitidos para as próximas gerações. Outra descoberta importante revelou que a seleção voltada à eficiência alimentar (animais que crescem mais rápido e convertem melhor a ração) tende a reduzir indiretamente a incidência de TM.

O que o produtor pode fazer agora?

Enquanto os marcadores moleculares são validados e integrados aos programas de melhoramento das grandes empresas, a recomendação prática para as granjas é descartar a reprodução de linhagens que possuam histórico de morte por torção na família, além de evitar o uso de animais com baixa conversão alimentar ou comportamento de ingestão voraz.

Leia o artigo completo em: https://agrimidia.com.br/revista/si-edicao-328/

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