Relatório do 3º trimestre mostra mercado global ajustando estoques, enquanto o Brasil avança na fatia de exportações e ganha espaço deixado pela Europa
Oferta alta e consumo fraco seguram preços da carne suína no mundo

O mercado global de carne suína enfrenta um período de preços fracos e margens pressionadas nas principais regiões produtoras do planeta. De acordo com o relatório trimestral do RaboResearch (divisão de pesquisas do Rabobank), a combinação entre excesso de oferta e demanda estagnada dita o ritmo do setor, embora movimentos de ajuste no rebanho e na produtividade já comecem a desenhar um cenário de reequilíbrio para o fim de 2026.
O Panorama Geral: O que trava os preços globais?
Apesar de os motivadores variarem de continente para continente, o diagnóstico da RaboResearch aponta para uma causa comum: a produção cresceu em ritmo mais acelerado do que o consumo global.
Europa (União Europeia): O mercado interno europeu está sobrecarregado de carne suína. Além do aumento na produção local, as barreiras sanitárias impostas por episódios de Peste Suína Africana (PSA) na Espanha — uma das gigantes do setor — limitam as exportações do país, represando volumes massivos de proteína dentro do bloco europeu.
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China: Anos de forte expansão da capacidade produtiva e ganhos expressivos de produtividade nos planteis inundaram o mercado chinês.
América do Norte: Os estoques nos EUA e Canadá estão ligeiramente acima dos registrados no ano passado, com ganhos em eficiência zootécnica compensando a fraqueza do consumo doméstico.
O que esperar no 2º semestre de 2026?
O relatório projeta uma virada gradual na disponibilidade de carne ao longo dos próximos meses:
Corte no rebanho chinês: O declínio contínuo no plantel de matrizes na China deve reduzir a oferta de animais prontos para abate a partir de meados ou do fim do terceiro trimestre. O RaboResearch alerta, contudo, que qualquer reação nos preços locais será modesta, barrada pelo consumo enfraquecido.
Reação na América do Norte: A expectativa é de melhora nas cotações norte-americanas rumo ao quarto trimestre de 2026.
Avanço do Brasil no comércio global: As rotas de exportação passam por mudanças estruturais. A Europa perde participação no mercado internacional devido a restrições sanitárias, custos e menor demanda chinesa. Em contrapartida, o Brasil expande sua fatia de exportação rapidamente, ocupando o espaço deixado pelos concorrentes europeus.
Geopolítica, Tarifas e Barretas Sanitárias no Comércio
O fluxo de comércio internacional permanece altamente vulnerável a barreiras comerciais e disputas tarifárias, o que deve manter a volatilidade até o encerramento do ano:
Investigação na China: A aplicação de taxas antidumping por parte de Pequim sobre a carne suína vinda da União Europeia, somada à alta oferta interna chinesa, fez os embarques europeus para o país Asian tombarem 29% nos primeiros cinco meses de 2026.
Abertura nas Filipinas: Como contrapartida positiva para a Europa, as Filipinas revogaram a proibição nacional de importação sobre a carne suína espanhola.
Novos polos de demanda: Enquanto a China reduz o volume comprado no exterior, mercados alternativos como México e Filipinas aceleram a entrada de carne suína importada para suprir suas demandas internas.
Fonte: Pig World























