Corrida da China e das indústrias nacionais por lotes, aliada ao dólar alto e aos temores do El Niño, impulsiona as cotações do complexo soja no Brasil
Grãos
Demanda aquecida por soja levam indicadores aos maiores patamares desde abril de 2023
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As cotações do complexo soja atingiram marcas expressivas no mercado brasileiro na segunda metade de agosto de 2026. A forte concorrência entre exportadores voltados à Ásia e indústrias domésticas em busca de recomposição de estoques, somada à cautela dos produtores em liberar novos lotes no spot, elevou os indicadores do Cepea aos níveis nominais diários mais altos em mais de três anos.
Esta semana (24/08): Máximas desde 2023 e cautela no campo
O fato da semana: Os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná atingiram os maiores patamares nominais diários desde abril de 2023, impulsionados pela demanda aquecida e pela baixa disponibilidade no mercado físico.
- Corrida compradora: No mercado externo, a China lidera as aquisições da oleaginosa brasileira. No ambiente doméstico, as indústrias de esmagamento intensificaram os pedidos para garantir e recompor seus estoques operacionais.
- Retração dos produtores: Vendedores restringiram a oferta no mercado disponível, receosos quanto aos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a oferta da safra global 2026/27.
- Reflexo internacional: O aquecimento do consumo global também impulsionou as cotações no exterior, reforçando o ciclo de altas praticado nas praças brasileiras.
Semana anterior (17/08): Câmbio favorável e aperto no balanço global
Na semana anterior, as análises do Cepea já apontavam os fundamentos de oferta e demanda que sustentavam a valorização do grão:
- Apoio do dólar: A valorização da moeda norte-americana frente ao Real aumentou a competitividade do produto brasileiro, acirrando a disputa entre tradings e o mercado interno.
- Relação estoque/consumo no menor nível: Dados do USDA destacados pelo Cepea apontaram que a relação estoque/consumo final da soja deve cair para 33,5% na safra 2025/26 (menor percentual desde 2022/23) e para 32,3% na temporada 2026/27, evidenciando que o consumo global avança mais rápido que a produção.
Comparativo direto: A escalada da soja no Brasil
| Frente de Análise | Semana Anterior (17/08) | Esta Semana (24/08) — Destaque |
| Indicadores Cepea | Cotações em alta impulsionadas pelo câmbio | Maiores patamares nominais desde abril/2023 (Paranaguá e PR) |
| Demanda Externa | Favorecida pela competitividade do dólar | Disparada das compras chinesas no mercado brasileiro |
| Comportamento do Produtor | Posição cautelosa com novos contratos | Retração vendedora no spot por temores climáticos (El Niño) |
| Balanço Global (USDA) | Relação estoque/consumo projetada em queda | Aperto contínuo na oferta global respaldando as altas |
A consolidação da soja em patamares recordes de preço reflete um cenário de fundamentos altamente favoráveis ao produtor brasileiro. A combinação de aperto estrutural nos estoques globais, câmbio atrativo e apetite renovado da China cria um ambiente de disputa acirrada por lotes no país. Com as indústrias nacionais pressionadas a cobrir suas necessidades de processamento e os agricultores segurando as vendas diante dos riscos do El Niño para a próxima safra, as cotações devem seguir respaldadas no curto prazo.























