Caso a previsão regional se confirme a agricultura movimentará mais de R$ 2,15 bilhões nesta safra.
Campos Gerais se preparam para colher 2,9 mi de toneladas de grãos
Redação (03/03/2008)- Se depender do clima, hoje é favorável ao plantio e a colheita, e da vontade dos produtores rurais em investir nas lavouras os Campos Gerais (18 municípios) vão colher uma grande safra de grãos. Enquanto no País o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) estimam uma colheita de 135,8 milhões de toneladas (3,1% a mais que na safra anterior), na região a aposta é para uma produção de 2,9 milhões de toneladas (2,8 milhões de toneladas na safra passada). Caso a previsão regional se confirme a agricultura movimentará mais de R$ 2,15 bilhões nesta safra.
Deste valor, cerca de R$ 660,56 milhões virão das lavouras de milho. Os agricultores estão prevendo uma colheita de 1,52 milhão de toneladas de grãos. Hoje, a saca de 60 quilos do cereal está sendo vendida por R$ 26 (preço médio). Outros R$ 1,02 bilhão serão movimentados através da soja. O Departamento de Economia Rural do núcleo regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Deral/Seab) prevê uma colheita de 1,39 milhão de toneladas. No mercado agrícola a cotação desta comoditie atinge R$ 44 a saca.
A produção de feijão das secas deverá alcançar 104 mil toneladas. Com a saca sendo vendida pelos agricultores a R$ 160 (valor médio) a safra deverá resultar em R$ 277,22 milhões. A expectativa é de que outros R$ 188,42 milhões sejam obtidos com a venda de 87 mil toneladas do feijão das águas. A saca tem o preço médio de R$ 130.
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A notícia de safra farta anima tanto os produtores quanto a economia regional. Parte dos R$ 2,15 bilhões vai cobrir o custo da produção (compra de insumos agrícolas e outros) e o restante deverá ser investido. E apostando nesta força do agronegócio estão as revendas de máquinas e equipamentos agrícolas. As empresas esperam elevar as vendas em relação às últimas safras. “O setor de grãos reagiu a partir de novembro do ano passado. Ficou bem diferente do início de 2007. O feijão foi um produto que ajudou bastante a recuperação de caixa de muitos agricultores que hoje estão repondo tratores e plantadeiras. Eles ficaram dois anos sem comprar”, comenta José Divalsir Gondaski, diretor da Macponta (concessionária John Deere).
A expectativa para esta e próximas safras é positiva. “Estamos torcendo para que o clima continue bom até a colheita. Não temos outro fator negativo. A previsão para 2009 é de crescimento da produção de grãos no Brasil e a região Sul, mesmo considerando a alta de custo do plantio, terá um bom volume de rentabilidade. O próximo ano deverá ser ainda melhor que este”, acredita.
“O produtor está bem animado e tem nos procurado. A perspectiva para este ano é muito boa”, observa Luís César Lechman, gerente comercial da Magparaná (concessionária Massey Ferguson). Diante da movimentação de agricultores na empresa ele prevê a falta de equipamentos de pronta entrega. “O agricultor que comprar em cima da hora não terá o produto na hora. Tanto os vendedores quanto os compradores precisam se programar. Se a plantadeira será utilizada em setembro ela precisa ser adquirida em maio para ser entregue em julho”, diz.
Agricultores prevêem anos prósperos para o setor
Para o produtor Douglas Taques Fonseca, as perspectivas para este ano são boas. “Todos os preços das comodities plantadas na nossa região como soja, milho, trigo e feijão, estão bons. Então as perspectivas para 2008 são muito boas”, diz ao considerar que este ano está melhor do que 2007 para a agricultura.
No entanto, o dólar continua sendo a grande preocupação dos produtores. “Este ano nós plantamos com um custo, mas como o preço no mercado está bom então compensou a baixa do dólar. Mas se o preço das comodities caírem, então com o dólar baixo o problema no campo voltará”, alerta.
Acreditando no bom momento do setor, o agricultor faz previsões para os próximos anos. “Pelas perspectivas e pelo o que temos acompanhando tranqüilamente até 2009 e 2010 deve permanecer o clima de preços bons para a safra”, arrisca Douglas.
O presidente da Sociedade Rural dos Campos Gerais, Luis Eduardo Pilati Rosas, acredita que “o cenário é muito bom para quem não precisou comprometer nada para plantar e está com a safra inteira”. Para ele, a hora é adequada para a capitalização. “É momento do produtor se capitalizar e tentar diminuir as dívidas para pagar menos juros e se preparar para a próxima safra. Segundo os indicadores, nos próximos três anos a agricultura será um bom negócio. Mas é preciso estudar o futuro e ver como plantar”, considera Pilati.
Ele chama a atenção para fatores que podem levar parte da renda do agricultor. “O Porto de Paranaguá está sem dragagem e por isto a navegação noturna está proibida. Isto vai fazer com que muitas cargas sigam para o Porto de Santos ou para os portos de Santa Catarina e isto faz com que aumente o custo com transporte. Este fator vai tirar a renda do produtor”, alerta.
Para o presidente, o cenário positivo para o campo reflete na economia do Município e região. “A nossa região é agropecuária e precisa que o dinheiro gire. Quando entra dinheiro novo aquece a venda de automóveis, máquinas e se gera emprego”, observa. “Se o produtor colher bem e souber se posicionar nesta hora, não se iludir, então para frente vai ser bom”, completa Pilati.
Produtores investem em máquinas e carros
A recuperação do setor agrícola é visível aos olhos do diretor da Macponta (concessionária John Deere), José Divalsir Gondaski, que tem elevado a venda de máquinas e equipamentos. “Estamos vendendo colheitadeiras para esta safra ainda e muitos tratores”, garante ao acrescentar que as novidades no mercado atraem os clientes. E entre os lançamentos estão os tratores com 182 e 202 cavalos e plantadeiras a vácuo. “O produtor está usando a plantadeira a vácuo por ter uma tecnologia diferente da convencional e usando a semeadeira para semear”, fala.
Prevendo boas safras pela frente, o diretor revela uma mudança no perfil do produtor. “Tenho visto no mercado dos Campos Gerais uma maior programação do agricultor. Nossos clientes estão fazendo a previsão do que querem comprar”, comenta ao considerar esta medida uma aposta na permanência do bom momento da agricultura.
O gerente comercial da Magparaná (concessionária Massey Ferguson), Luís César Lechman, explica a compra programada. “O consumismo está crescendo e as fábricas não têm tanto capital de giro para fazer grandes estoques”, explica ao lembrar a crise entre os anos de 2005 a 2007. “Os preços dos produtos estavam em baixa, além disto tivemos um período de seca. Neste ano, o crescimento do setor foi muito rápido. Os preços estão em alta e o clima está bom”, fala ao afirmar que as vendas de tratores, plantadeiras, pulverizadores e semeadeiras estão em alta. “Fazia tempo que o produtor não comprava uma semeadeira, mas com o trigo em alta as vendas cresceram”, comemora o gerente.
Outro motivo que favorece às vendas é o programa do governo federal: Moderfrota. É possível financiar até 90% do valor da máquina e pagar em cinco anos e com carência de um. Os juros variam de 7,5% a 9,5% ao ano, dependendo da capacidade do produtor.
O setor de veículos também aposta na agricultura. O operador da Cipauto Veículos, Paulo Roberto Pedroso Júnior, diz que o fluxo de produtores rurais na concessionária é bom. “Os agricultores estão trabalhando no campo e quando este dinheiro começar a entrar será muito bom”, observa. As vendas na empresa são maiores que no ano passado. A grande procura é pelos modelos camionetes.
Ele acredita que a crise envolvendo o setor agrícola ficou no passado. “Três ou quatro anos se passaram e a agricultura está melhorando”, observa.
E para garantir a venda, o operador conta que a concessionária possui desconto especial para o produtor rural em todos os carros.
Setor de transportes está pronto para receber safra
A fartura que virá do campo com a safra de grãos desperta a atenção do setor de transportes. “Estamos ouvindo falar que a safra será boa e ser realmente for a carga também será boa. Só resta esperar para ver se não haverá quebra na produção”, diz Ademar Barbosa, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Ponta Grossa (Sindiponta).
Ele lembra que nas safras passadas o setor praticamente não tinha o que transportar. “Sem carga o preço do frete baixa. Agora, com carga a tendência é de aumento no frete”, observa.
Segundo o presidente, enquanto aguarda o momento para transportar a produção de grãos o setor pede reajuste de 11% no frete. “O frete está muito baixo. Precisamos de um repasse imediato pois não estamos mais agüentando”, diz.
Ele aproveita para pedir mais respeito com o setor. “Não queremos mais que nos façam de silos ou armazéns ambulantes. Queremos respeito nas estradas”, dispara. O último reajuste de frete aconteceu há mais de dois anos e correspondeu a 5%. “O frete flutua de acordo com o mercado. Se tem muita carga o frete baixa”, explica.
Conforme Ademar, os caminhoneiros, sindicatos e associações estão recebendo orientações sobre o frete. “O caminhoneiro precisa se conscientizar sobre o frete”, fala.























