Neste mês a valorização da soja e do milho é de 43,7% e 37,1%, respectivamente, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Produtor tem ganho limitado com alta da cotação dos grãos
Hoje, o País, que apresentou só em março um incremento de 55,8% nas compras de fertilizantes, importa 74% da sua demanda. Nessa conjuntura o câmbio aparece como um agravante para a situação do produtor já que este paga em reais o preço do produto que é cobrado em dólar. “ O produtor sofre ainda mais com o câmbio porque com a alta das matérias-primas o setor de fertilizantes repassa esse custo”, afirmou José Amaral, consultor da Scot. “Apesar dos preços recordes os custos se elevaram na mesma proporção”, completou.
Para Amaral o saldo do produtor ainda pode ser positivo, mas irá depender de como será negociada a próxima safra. “Não sei se esse custo vai ser absorvido pelos produtores. A margem deles ficará limitada ou não haverá cumprimento de contrato”, diz.
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Com melhores perspectivas estão as indústrias do setor que contam com melhor infra-estrutura e operações diversificadas. A Caramuru Alimentos prevê elevar seu faturamento, que foi de US$ 750 milhões em 2007, para U$ 1 bilhão este ano. “Esse aumento é atribuído aos preços dos grãos e as primeiras entregas de biodiesel que estamos fazendo”, avalia César Borges de Souza, vice-presidente da companhia.
Na avaliação do executivo o aumento nos custos de produção não deverá ter um impacto significativo no desempenho das empresas do setor e mesmo o produtor não será tão prejudicado. Preocupado, o produtor Paulo Bertolini, por sua vez, acredita que qualquer reversão da atual expectativa de preço das commodities pode gerar prejuízo mesmo sendo preços históricos. Ele alerta para a necesidade de aproveitar o momento de alta dos grãos para se planejar para a próxima safra. “Essa especulação cria uma euforia perigosa, mas os fertilizantes estão subindo e o custo explodindo”, diz.
Atento à nova demanda de antecipação das comprar de insumos já no primeiro semestre o Banco do Brasil acaba de anunciar que já está disponibilizando o financiamento para a aquisição antecipada de insumos da safra 2008/2009.
De acordo com o gerente executivo da editoria do agronegócios do BB, Márcio Augusto Montella, em 2007 o recurso só foi liberado no segundo semestre porque a expectativa era de queda no dólar. “Esse ano a questão cambial está mais estabilizada e o produtor consegue comprar insumos por preços mais competitivos que no segundo semestre”, destaca.
Confiante no aumento da demanda o valor que o banco está destinando aos produtores rurais e cooperativas é de R$ 1 bilhão, bem acima dos R$ 556 milhões destinados para o mesmo fim na safra de 2007/2008.
O benefício abrange 10 estados e contempla os produtores de soja e milho que poderão obter recursos de até 300 mil e 400 mil, respectivamente, com juros de 6,75% ao ano.





















