Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 71,98 / kg
Soja - Indicador PRR$ 123,24 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 130,20 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 10,21 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 6,96 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 6,76 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 6,68 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 6,65 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 6,80 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 182,51 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 200,46 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 207,25 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 223,39 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 173,72 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 201,21 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,03 / kg
Frango - Indicador SPR$ 7,07 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.219,92 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.093,06 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 222,89 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 196,13 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 187,56 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE)R$ 197,23 / cx

Roberto Rodrigues: “A Rodada Doha vai para o beleléu”

Brasil precisa criar instrumentos para proteger a sua produção, como outros países estão fazendo.

Compartilhar essa notícia

Redação (09/02/2009)- O Brasil vai produzir menos grãos nesta safra agrícola. Isso poderá prejudicar também a produção em 2010, que seria ainda menor, provocando o risco de uma disparada no preço de alimentos e da volta da inflação. Na avaliação do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, atual presidente do Conselho do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o governo pode interferir nesse cenário com medidas imediatas para garantir preços mínimos e assegurar a oferta de crédito para o produtor. Ele lembra que o Brasil precisa criar instrumentos para proteger a sua produção, como outros países estão fazendo, para não ser ””comido pelos outros””, o que chama de neoprotecionismo. Em entrevista ao Estado, ele defende a regulação do sistema financeiro que, em vez de apoiar a produção, transformou-se num ””mecanismo de gerar dinheiro””.

O agronegócio brasileiro é altamente dependente de crédito, hoje escasso. Como garantir o financiamento da produção?
Precisa haver uma regulação do sistema financeiro, que perdeu a rédea. Ao invés de ser instrumento de desenvolvimento e emprego e de apoiar a produção, transformou-se em mecanismo de gerar dinheiro. O mundo inteiro quer uma nova regulamentação. Minha hipótese é de que o G 20 (grupo dos principais países em desenvolvimento mais os países ricos) poderia ser o fórum para isso. Tem de ser uma coisa negociada. Não acredito numa regulação do sistema financeiro no curto prazo.

O setor pode tirar alguma lição da crise?
O que a crise gerou no mundo todo foi o que chamamos de neoprotecionismo. Os países estão defendendo seus governos e fazendo proteção clara e ostensiva da sua produção. Essa nova fase tem duas vertentes relevantes: a primeira é que esse movimento vai contra a globalização da economia e fragiliza as grandes instituições mundiais, como a ONU e a OMC. Acredito que a Rodada de Doha (negociações para reduzir as barreiras comerciais) vai para o beleléu. Como fazer uma rodada de liberalização num cenário desses? Outra vertente é que, se todo mundo está se protegendo com todas as armas disponíveis, o país que não se proteger será comido pelos outros. É preciso encontrar os meios para isso.

Com a crise a esta altura já consolidada, os efeitos na agricultura estão mais definidos?
Na agricultura brasileira, estamos vivendo uma situação complicada. Na agricultura de grãos, os custos subiram espetacularmente e o crédito diminuiu em relação à demanda por hectare. Os agricultores reagiram plantando menos e com menor tecnologia. A safra de grãos, por essa razão, será menor este ano. A esse fator determinado e certo, somou-se a seca: estados com grande produção, como Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul, tiveram quebras de até 25%. A safra, além de tudo, será pequena em razão desses fatores: custo elevado, pouco crédito e baixa produção.

Qual a tendência para os preços que remuneram o produtor?
Os preços são uma incógnita. Minha tese é que não deveriam cair mais. Os bons fundamentos continuam presentes, como os baixos estoques mundiais e a demanda aquecida. O problema é que a crise parece crescer em direção aos emergentes. Se isso acontecer, a renda cai e seria um desastre para a agricultura. Mas é só na agricultura, pois vai haver alimento e não haverá inflação.

Fala-se também em queda nas exportações agrícolas este ano.

A previsão de queda de 27% nas exportações é do Ministério da Agricultura. As exportações de derivados da cana-de-açúcar, laranja e carnes também estão sofrendo e, segundo os analistas, devem cair este ano em percentuais que variam de 12% a 28%. Além da falta de crédito para exportação, os ACCs (Adiantamentos de Contratos de Câmbio), os mercados ficaram mais limitados e exigentes. Sem conseguir vender, a indústria – usinas, frigoríficos e fabricantes de suco – repassa o problema para o produtor, que não aguenta. O pecuarista, o produtor de cana e de laranja estão quebrando.

Há risco para a economia do País?
O grande risco para o Brasil não é a queda nas exportações. Elas são importantes, mas não são determinantes para a economia ir bem. O País não vai deixar de crescer por exportar menos. A sociedade não será afetada de forma dramática. O problema é o produtor, ele sim, será afetado. Se o produtor não fizer uma boa safra este ano, vamos ter produção ainda mais baixa em 2010. Aí, a sociedade será afetada. Não vai haver oferta para atender à demanda e os preços podem disparar, trazendo inflação.

Frente a esse quadro, o que pode ser feito?
Considerando essas variáveis, precisamos criar imediatamente medidas de proteção para isso não acontecer. O recálculo dos preços mínimos, em bases reais, deve ser imediato. Está na lei: se o preço do mercado cai abaixo do mínimo, o governo pode agir para garantir a renda do produtor e dar segurança ao sistema de crédito. Com uma safra grande este ano, teríamos muito para exportar no ano que vem, sem inflação e com garantia de saldo comercial espetacular. O governo precisa resgatar os preços mínimos, dar ao produtor crédito à vontade para exportação, através dos ACCs, e assegurar capital de giro para o produtor ter condição de estocar, principalmente as usinas que produzem em oito meses para vender em doze.

Roberto Rodrigues esteve à frente do Ministério da Agricultura de 2003 a 2006; foi presidente da Organização Internacional de Cooperativas Agrícolas e vice-presidente da Associação Comercial de SP; formou-se em Engenharia Agrônoma na USP em 1965.

Assuntos Relacionados Brasil
Mais lidas
Cotação
Fonte CEPEA
  • Milho - Indicador
    Campinas (SP)
    R$ 71,98
    kg
  • Soja - Indicador
    PR
    R$ 123,24
    kg
  • Soja - Indicador
    Porto de Paranaguá (PR)
    R$ 130,20
    kg
  • Suíno Carcaça - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 10,21
    kg
  • Suíno - Estadual
    SP
    R$ 6,96
    kg
  • Suíno - Estadual
    MG
    R$ 6,76
    kg
  • Suíno - Estadual
    PR
    R$ 6,68
    kg
  • Suíno - Estadual
    SC
    R$ 6,65
    kg
  • Suíno - Estadual
    RS
    R$ 6,80
    kg
  • Ovo Branco - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 182,51
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Branco
    R$ 200,46
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 207,25
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Vermelho
    R$ 223,39
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Bastos (SP)
    R$ 173,72
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Bastos (SP)
    R$ 201,21
    cx
  • Frango - Indicador
    SP
    R$ 7,03
    kg
  • Frango - Indicador
    SP
    R$ 7,07
    kg
  • Trigo Atacado - Regional
    PR
    R$ 1.219,92
    t
  • Trigo Atacado - Regional
    RS
    R$ 1.093,06
    t
  • Ovo Vermelho - Regional
    Vermelho
    R$ 222,89
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Santa Maria do Jetibá (ES)
    R$ 196,13
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Recife (PE)
    R$ 187,56
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Recife (PE)
    R$ 197,23
    cx

Relacionados

SUINOCULTURA 328
Anuário AI – Edição 1342
Anuário SI – Edição 327
SI – Edição 326
AI – 1341