BCE faz avaliação otimista sobre economia mundial. Para Trichet, presidente do BCE, há sinais de estabilidade e projeções são melhores que o esperado.
Economia mundial cresce
Os principais bancos centrais do mundo fizeram ontem (07/09) avaliação prudentemente otimista do estado da economia mundial, no encontro que ocorre a cada dois meses no Banco de Compensações Internacionais (BIS), em Basileia. A economia mundial está se estabilizando e as projeções são melhores do que previamente esperado, resumiu Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), em nome das autoridades.
As economias emergentes, sobretudo, tem mostrado “resiliência remarcável” e “grau de crescimento significativo”, depois de “penosas” experiências do passado, conforme frisou Trichet.
O presidente do BC do Brasil, Henrique Meirelles, disse que a opinião na reunião foi de que o Brasil está no grupo dos países com uma trajetória de recuperação mais sólida, opinião compartilhada por bancos comerciais internacionais membros do Instituto de Finanças Internacionais (IIF).
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Os BCs reconheceram o peso do crescente desemprego na confiança dos consumidores. As autoridades tem sido prudentes, notando que qualquer retomada econômica será frágil enquanto o desemprego continuar subindo.
Em Paris, a Câmara de Comércio Internacional alertou que a economia global ainda está em turbulência, e que apesar de sinais de recuperação, as evidências não são suficientemente fortes para concluir que a recessão minguou.
A Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) divulgou relatório em Genebra no qual também insiste que “a crise não acabou”.
Sem surpresa, os BCs insistiram no cenário de alerta por “prudência”. Trichet disse que pode haver “acidentes” na estrada da retomada. A avaliação é de que alguns países vislumbram o fim da recessão, outros estão na saída mas ainda correndo riscos, enquanto um terceiro grupo – sobretudo de emergentes – tem recuperação maior.
A constatação dos BCs, de projeções melhor do que as antecipadas, vem no rastro de estudo da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que revisou a queda da economia mundial para 3,7% este ano, comparado a 4,1% até recentemente.
Mas o BIS, embora positivo em relação ao Brasil, não levou ainda em conta em suas projeções a nova situação, mantendo pelo momento expectativa de queda do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.
Sobre as finanças globais, os BCs tambem foram mais positivos do que nas reuniões anteriores. Mas insistiram que a prudência é necessária “porque o funcionamento do sistema financeiro não é ainda o que se pode considerar normal”, segundo Trichet. “E muita atenção deve ser dada para as lições da crise. Os BCs estão atentos para não ser esquecidas pelas autoridades”.
Quanto à política monetária, insistiu que existe união entre os BCs para garantir estabilidade de preços. Já a Unctad acha que o risco, hoje, está mais de deflação – algo que pioraria a situação global.
“Vemos também um numero de riscos, como protecionismo e [o fato] de que os governos não estao fazendo tudo que é necessário para reduzir os desequilíbrios – externos e domésticos – na economia”, disse Trichet. Os BCs reiteraram que vão “fazer tudo” para evitar a repetição da crise atual.





















