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Indústria de ração acusa freio neste fim de ano

O saldo final de produção para este ano é de 59 milhões de toneladas, contra 53,5 milhões no ano passado.

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Redação (15/12/2008)-  A crise financeira global freou o crescimento das indústrias de ração que atuam no país neste fim de ano e mantém em suspenso o seu desempenho em 2009, após um primeiro semestre de 2008 de vendas aquecidas e aquisições. 

Segundo estimativa do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), divulgada na sexta, o setor de nutrição animal deverá fechar este ano com expansão de 10% na produção. "Fomos beneficiados pelos dez primeiros meses do ano", diz Ariovaldo Zanni, diretor-executivo da entidade. 

Entre janeiro e setembro foram produzidos 43,3 milhões de toneladas de ração em comparação com as 37,8 milhões do mesmo período de 2007 – uma alta de 14,7%. Os dois dígitos, porém, desapareceram no terceiro trimestre, que fechou com recuo de 2,7%, passando de 15,7 milhões de toneladas para 15,3 milhões entre um ano e outro. Assim, o saldo final para este ano é de 59 milhões de toneladas, contra 53,5 milhões no ano passado.

"Outubro, novembro e dezembro impactaram negativamente no balanço, mas não chegaram a afetar a previsão de crescimento na produção", disse Zanni, no almoço de fim de ano no qual pediu otimismo dos produtores. 

A alta nos custos de insumos químicos importados para a produção de ração, como vitaminas e aminoácidos, chegou em alguns casos a 500%, diz Zanni. Este fato, combinado com a falta de crédito no país, ajuda a explicar a desaceleração. "A agricultura é uma atividade muito financiada. Com a ausência de liquidez do mercado, manter a produção se torna difícil", afirmou o diretor. 

Se foram desfavorecidos pela valorização do dólar, que tornou os insumos importados mais caras, a indústria foi compensada pela queda nos preços do milho, matéria-prima que responde por 70% da composição da ração. O temor, agora, é de uma eventual substituição do cereal pela soja, com contratos mais atraentes. 

"O próximo ano será de cautela", disse Mário Sérgio Cutait, presidente do Sindirações. Segundo ele, não há razão para esperar retração do setor de nutrição animal em 2009. "O mundo continuará comendo", diz. 

Tradicionalmente, em momentos de crise a carne vermelha é substituída por branco. Uma boa notícia para um setor, onde a avicultura consome sozinha metade de toda a ração produzida. 

Se as medidas do governo brasileiro surtirem efeito, a expansão esperada na produção será de 5%. Caso contrário, a entidade calcula que repetirá o resultado deste ano. O faturamento, diz Cutait, deve ser mantido. O setor fechará este ano com movimentações de US$ 16 bilhões, US$ 3 milhões a mais que no ano passado.

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