Soja e milho recuam na CBOT apesar de esmagamento recorde e tensões persistentes no Mar Negro; mercado brasileiro de balcão segue travado com produtores retraídos
Chicago: Clima nos EUA e dados de biocombustíveis puxam grãos para baixo em dia de correção técnica

A Bolsa de Chicago (CBOT) registrou uma sessão de ajustes e desvalorização para as principais commodities agrícolas nesta quinta-feira (16). Após as fortes altas recentes infladas pela geopolítica do Mar Negro, o mercado passou por uma correção técnica, direcionando o foco dos investidores para os mapas climáticos do Meio-Oeste americano e para os dados de demanda interna de biocombustíveis nos Estados Unidos.
Soja: Clima no Midwest e avanço das vendas americanas ditam o ritmo
Os contratos futuros da soja fecharam em queda moderada. O vencimento principal para novembro/26 recuou 0,56%, encerrando o dia cotado a US$ 11,95 por bushel.
De acordo com analistas da Royal Rural, o mercado calibra o tamanho da safra norte-americana diante de um cenário de calor forte e precipitações irregulares nas Grandes Planícies e nas porções norte e oeste do Corn Belt. Como as lavouras entram em fases cruciais de definição de rendimento, o mercado adiciona cautela, embora ainda não crava uma quebra consolidada de produtividade.
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Pelo lado da demanda, os fundamentos seguem robustos:
Esmagamento forte: Dados oficiais de junho apontaram que o processamento interno de soja nos EUA atingiu 214,3 milhões de bushels, um salto de 15,4% na comparação anual.
Estoques de óleo enxutos: As reservas de óleo de soja norte-americanas vieram abaixo das expectativas, dando sustentação ao complexo.
Ritmo de exportação: As vendas semanais da safra 2025/26 somaram 188 mil toneladas, elevando o total comprometido para 41,3 milhões de toneladas — acima da meta anual do USDA. Para a nova safra, as vendas antecipadas já passam de 4 milhões de toneladas (o melhor patamar em três temporadas), com a China liderando as compras (1,056 milhão de toneladas).
No Brasil, a consultoria Agrinvest reportou que o mercado físico operou em compasso de espera, com preços estáveis e produtores retendo lotes no aguardo de repiques cambiais ou melhora nos prêmios de exportação.
Milho: Correção técnica e fraqueza no etanol dos EUA pressionam cotações
O milho sofreu o recuo mais expressivo da rodada. O contrato para dezembro/26 caiu 1,17%, fechando a US$ 4,64 por bushel.
O recuo foi uma resposta direta à acomodação dos preços do trigo e a uma leve melhora nas previsões de umidade para o cinturão agrícola dos EUA. Além disso, os novos dados da Administração de Informação de Energia (EIA) jogaram contra o cereal, sinalizando menor consumo nas usinas de biocombustível no curto prazo:
Produção de etanol: A média diária americana caiu para 1,04 milhão de barris — uma retração de 53 mil barris por dia na comparação semanal e menos 47 mil barris em relação ao ano passado.
Estoques e exportações: As reservas de etanol subiram para 24,39 milhões de barris, enquanto as exportações do biocombustível cederam para 81 mil barris diários.
Apesar do tombo na demanda por etanol na semana, o programa geral de embarques de grãos de milho dos EUA para o exterior continua registrando volumes recordes.
Trigo: Respiro técnico após atingir máxima de dois anos
O trigo também fechou em território negativo, embora em ritmo de leve ajuste. O vencimento para setembro/26 recuou 0,41%, fixado em US$ 6,74 por bushel.
Durante a sessão, o contrato contínuo do cereal chegou a atingir seu maior valor intradiário em dois anos, acompanhado pela Bolsa da Europa (Euronext), que bateu o teto de preço desde fevereiro de 2025. O recuo no encerramento refletiu uma natural realização de lucros após o rali gerado pelos bombardeios na infraestrutura portuária da Ucrânia. O mercado internacional permanece em alerta máximo, já que o acirramento das tensões militares na região do Mar Negro continua ameaçando o fluxo marítimo global de trigo.
Fonte: CNN























