Apesar da forte crise, exportações caem pouco em outubro
Vendas para a Rússia, principal mercado, sobem 18% em volume.
Apesar da forte crise, exportações caem pouco em outubro
Vendas para a Rússia, principal mercado, sobem 18% em volume.
Redação (10/11/2008)- O mês de outubro será lembrado como o que revelou ao mundo a dimensão da crise financeira global de 2008, semelhante à de 1929. Apesar da enorme flutuação cambial no mês passado, com um componente de incerteza sobre o valor do real, o que inibiu contratações e embarques, houve uma pequena queda das exportações brasileiras de carne suína, de 6,65% em toneladas, em relação a outubro de 2007. Em valor, porém, o crescimento foi de 51,72%, comparado ao do mesmo mês do ano passado.
O Brasil exportou 46,93 mil t em outubro deste ano, no valor de US$ 144,50 milhões, em relação a 50, 27 mil t e US$ 95,23 milhões em outubro de 2007. (veja arquivo anexo com as estatísticas)
Para a Rússia, o principal mercado para a carne suína brasileira, com uma participação de 43%, houve um aumento expressivo nos embarques em outubro deste ano, em relação a outubro do ano passado – de 18,19% em toneladas e 61,38% em valor. O Brasil vendeu 18,77 mil t e faturou US$ 64,70 milhões, ante 15,88 mil t e US$ 40,10 milhões. De janeiro a outubro deste ano, as vendas brasileiras de carne suína para o mercado russo totalizaram 203,69 mil t e US$ 676,43 milhões, um declínio de 6,78% em volume e um aumento de 35,44% em valor.
Quando analisadas no período de dez meses de 2008, de janeiro a outubro, as exportações brasileiras de carne suína registraram uma queda de apenas 3,91% em volume e um aumento de 39,47% em valor – 470,9 mil t e US$ 1,32 bilhão, em relação a 490,1 mil t e US$ 950,72 milhões de janeiro a outubro de 2007.
Para Hong Kong, segundo maior mercado para a carne suína brasileira, as exportações em outubro caíram 5,47% em toneladas, em relação a igual período de 2007.
Ao analisar os resultados de outubro no contexto da crise, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (ABIPECS), Pedro de Camargo Neto, lembra que a flutuação cambial ocorreu não apenas no Brasil, mas nos principais mercados consumidores. "Na Rússia, a crise global teve grande impacto não só no câmbio como no sistema bancário. Os importadores também sofreram seus efeitos. A Ucrânia, terceiro maior mercado para o Brasil, teve de recorrer de maneira emergencial ao FMI, o que refletiu fortemente nos mercados".
Fatores positivos
Segundo Camargo Neto, "as tentativas de renegociação de valores por parte dos importadores continuam, porém a ausência de estoques, no Brasil e no exterior, bem como a chegada do fim do ano, são fatores positivos. O fim do ano é sempre um bom período de vendas e isso tem fortalecido a suinocultura".
Restrição ao crédito afeta o setor
Embora as exportações e o mercado interno continuem firmes, a forte restrição ao crédito, que persiste, certamente afeta as empresas do setor, afirma Camargo Neto. "As medidas anunciadas pelo governo federal apontam na direção correta, porém, infelizmente, não chegam ao caixa das empresas. Todo o setor bancário, inclusive o oficial, vem aumentando as exigências e as garantias na renovação de linhas de crédito, praticamente inviabilizando o mesmo volume de contratações, impondo novos custos ao setor", analisa o presidente da ABIPECS.
"O setor financeiro parece ignorar os bons fundamentos da suinocultura, no presente e em futuro próximo", acrescenta.
"Cumpre ao governo federal agir com a essencial agilidade, no sentido de voltarem a fluir os recursos financeiros necessários para o financiamento à produção", diz Camargo Neto. Em sua opinião, "o elevado nível de reservas internacionais precisa ser mobilizado para a manutenção da atividade econômica internamente".
"Pressionar excessivamente o setor produtivo, neste momento, prejudicará a capacidade de reação e produção em futuro próximo", comenta o presidente da ABIPECS. Em sua avaliação, "é preciso criar novos instrumentos financeiros para aprofundar o apoio do governo à economia, pois a simples manutenção do que existia antes da crise mostra-se insuficiente".
Exportações nos últimos 12 meses
Nos últimos doze meses, as exportações brasileiras de carne suína foram de 587,34 mil toneladas e totalizaram US$ 1,60 bilhão. Os principais mercados são Rússia, Hong Kong, Ucrânia, Argentina e Cingapura.