Após uma semana de intensa negociação, o projeto combinado entre democratas e republicanos no domingo foi derrotado por 228 votos contra e 205 a favor.
Bovespa desabou 9,36% ontem ante rejeição a pacote nos EUA
Redação (30/09/2008) – A rejeição da Câmara dos Estados Unidos ao pacote bilionário para ajudar o sistema financeiro dragou as bolsas de valores para o precipício. Após uma semana de intensa negociação, o projeto combinado entre democratas e republicanos no domingo foi derrotado por 228 votos contra e 205 a favor, levando o índice Dow Jones a fechar em queda de 6,98%, no maior recuo em pontos de todos os tempos. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), que bateu a mínima de -13,82%, fechou em queda de 9,36%, no maior recuo percentual desde 14 de janeiro de 1999, quando havia despencado 9,97%. O dólar disparou 6,15%.
A Bovespa chegou a acionar o "circuit breaker" ao cair mais de 10%, interrompendo suas negociações por 30 minutos. A última vez em que o sistema fora acionado foi em 14 de janeiro de 1999. O Ibovespa perdeu 4.754,93 pontos durante o pregão, para fechar em 46.028,06 pontos. No mês, acumula perdas de 17,33% e, no ano, de 27,95%. O giro financeiro somou R$ 5,766 bilhões.
O pacote de ajuda bilionária ao sistema financeiro encontrou resistências no Congresso ao longo da última semana, o que levou a negociações no final de semana para buscar um consenso. Domingo, parecia ter havido consenso e ninguém previa que a Câmara rechaçaria o acordo.
Os parlamentares ignoraram o apelo do presidente George W. Bush, do secretário do Tesouro, Henry Paulson, e do presidente do Fed, Ben Bernanke, e imputaram ao governo uma derrota. Isso aconteceu apesar de os líderes da Câmara terem mantido a votação aberta além do limite de tempo de 15 minutos, com os defensores do plano incapazes de convencer um número suficiente de deputados de ambos os partidos a mudarem seus votos contrários.
Antes da votação, os índices acionários já operavam com queda acentuada, puxada principalmente pelas ações de bancos, setor que teve uma avalanche de notícias ruins, todas de instituições em situação bastante frágil.
O dólar disparou frente ao real após a rejeição do pacote pela Câmara. No balcão, a cotação encerrou a R$ 1,9670, a maior desde 5 de setembro de 2007. Na máxima, chegou a R$ 1,9750. Na roda da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o pronto subiu 6,16%, a R$ 1,966, após oscilar de R$ 1,889 a R$ 1,975. No mercado futuro, os sete vencimentos de contratos indexados ao dólar registravam elevação, contabilizando US$ 25,15 bilhões às 16h20min. Entre os mais negociados, outubro/08 projetava R$ 1,965, com elevação de 5,98%; e novembro/08 indicava R$ 1,978, em alta de 6,02%.
O mercado de juros reagiu à votação estressante do pacote de socorro com inversão do sinal de queda e migração para a alta nas taxas dos contratos a partir de 2010. No entanto, diante dos estragos vistos no câmbio e nas bolsas, a pressão foi considerada pelos operadores contida e os vencimentos mais curtos até conseguiram encerrar em baixa.
Na Bovespa, houve fuga de capital de todas as naturezas. "Estrangeiros venderam, domésticos venderam, índios, maias e tudo o mais", brincou um profissional em tom de desespero. No pior momento da sessão, as ações da Petrobras e da Vale, as blue chips do pregão, derreteram mais de 15%. Mas não foram as maiores perdas do Ibovespa, que ficaram com Rossi Residencial (-21,06%) e BM&FBovespa (-20,22%). Nenhuma ação do Ibovespa fechou em alta ontem. Para hoje, o cenário pode se repetir, mas com menos vigor. Nas palavras de um profissional, o lado bom do cenário de ontem é que o governo dos EUA terá que fazer um novo plano, que pode ser melhor do que o que foi rejeitado.





















