A Conab estima que seja necessário investimento na ordem de R$620,02 para cada hectare a ser plantado.
Fertilizantes representam 37% dos investimentos para custeio de safra 08/09
Redação (09/09/2008)- Os fertilizantes continuam pesando no bolso dos agricultores para a próxima safra de soja, cujo ciclo deve iniciar a partir do próximo dia 15, quando encerrar o vazio sanitário e mediante as condições climáticas favoráveis. Dentre as despesas de custeio, estes insumos consomem 37% do orçamento do produtor. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que seja necessário investimento na ordem de R$620,02 para cada hectare a ser plantado.
Os números constam em levantamento acerca do custo de produção estimado, divulgado mês passado, com dados colhidos em julho. Na época em que foi apurado, a estatal apresentou que o custeio corresponde a 63,39% de toda injeção de capital necessária para plantio da oleaginosa. Neste universo, estão inclusas as operações com máquinas, aviões, aluguéis, mão-de-obra temporária, fixa, sementes, fixas, agrotóxicos.
A segunda maior participação na despesa de custeio está com a aquisição de agrotóxicos. Cada produtor precisará desembolsar, em média, R$206,42 por hectare, ou 12,32% da parcela total. As despesas para custear a lavoura, à época em que foi confeccionado, mensuravam R$1.062,26 por cada hectare.
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Para o presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Elso Pozzobon, os números estão dentro das projeções realizadas pelo setor. No município campeão brasileiro na produção de soja, a falta de recursos para custear as lavouras revela uma situação preocupante. Estima-se, conforme o sindicalista, que aproximadamente 70% dos produtores já adquiriram os produtos necessários e estão preparados para o plantio.
Por outro lado, 30% não estão ‘aparelhados’. Deste universo, 15% pleiteam fontes de recursos, mas outros 15%, encontram-se sem perspectivas. A realidade pode contribuir com atraso no plantio deste percentual de agricultor – cujo número não é precisado. “Temos uma indefinição destes 15% que não tem insumos . Sem dúvida preocupa. Tínhamos esperança que os bancos liberassem recursos. Entretanto, o próprio Governo noticia que não haverá”, declarou, ao Só Notícias/Agronotícias.
O sindicalista pondera ainda que isto pode acarretar a contratação de recursos sob outras formas, com valores mais caros, tirando a lucratividade. “Até 10 de novembro é o período ideal para plantio, conforme nosso calendário. Após esta data tende a reduzir produtividade. Arriscamos dizer em atraso”, salientou. A área plantada em Sorriso pode permanecer nos cerca de 600 mil hectares.
Além das despesas para custeio (A), a pós-colheita (B) deve consumir 12,10% de todo investimento, sendo necessários R$202,77 a cada hectare, utilizados para o seguro de produção, assistência técnica, transporte, armazenagem, Fundo Estadual de Apoio ao Transporte e Habitação (Fetab), Fundo de Apoio a Cultura da Soja (Facs), CESSR/Funrural.
Quanto às despesas financeiras (C), aqui imbutidos juros, chegam a R$68,54 por hectare (4,09%). Somando-se todos os custos variáveis A, B e C (custeio, pós-colheita e este último), o desembolso atinge R$1.333,57/ha, ou 79,58%. Por outro lado, quando somados os mesmos custos variáveis mais os fixos (encargos, seguro do capital fixo, manutenção periódica de máquinas/implementos), atinge-se a cifra dos R$1.483,80, sendo esta resultante conhecida por custo operacional.
Para chegar aos 100% a Conab elencou ainda a adição do custo operacional com a renda de fatores (remuneração esperada sobre capital fixo, terra). Levando-se em conta as diferentes vertentes do custo de produção, a safra 2008/09 resulta em investimento R$1.675,86 por hectare.
A projeção do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), aponta que o Estado deve cultivar 5.883,1 mil hectares.























