Veja aqui comentário econômico sobre os projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e os investimentos mundiais em créditos de carbono.
O futuro dos Créditos de Carbono
Redação (03/09/2008)- Uma boa notícia para os investidores e interessados no comércio mundial de créditos de carbono: pesquisa da Enviromental Finance Publications mostra que cresceu 33% o total de fundos de investimento, cuja carteira carrega os papéis lastreados na redução de emissões de gases de efeito estufa – eram 56 fundos no ano passado e agora eles somam 80 ao redor do mundo. O salto dos recursos por eles administrados foi ainda maior: de US$ 7,9 bilhões para US$ 12,87 bilhões, expansão de 63%.
No cerne dessa evolução está, claro, a entrada em vigor do período em que as emissões serão mensuradas pelo Protocolo de Kyoto, acordo internacional que prevê que os países ricos signatários reduzam, entre 2008 e 2012, os gases de efeito estufa que lançam na atmosfera a um valor 5,2% em média menor do que os níveis verificados em 1990. Portanto, é uma boa notícia, mas já tinha data marcada para acontecer.
O problema para esse mercado é justamente o que vem depois de 2012, pois ainda é uma incógnita o que vai acontecer. As negociações para a efetiva implantação de um esquema de compensações andam vagarosamente. Há diversos problemas a contornar: a inclusão ou não de grandes países em desenvolvimento no rol das nações com metas de redução a cumprir – contra o que se colocam as principais potências desse grupo, China, Índia e Brasil, a aceitação ou não de novas formas de compensação, por exemplo, manter florestas intocadas, atrair os Estados Unidos para o comércio global – os americanos não são signatários de Kyoto.
Leia também no Agrimídia:
- •Crise global, diesel em alta e risco de efeito cascata pressionam suinocultura, alerta governo
- •Alta do milho derruba poder de compra do suinocultor pelo 6º mês seguido
- •Reino Unido inicia ensaio inédito com vacinas contra Influenza Aviária em perus
- •Febre aftosa acende alerta sanitário na Europa e reforça vigilância no Reino Unido
Os beneficiados
China, Índia e Brasil são, hoje, os maiores beneficiados com recursos de projetos internacionais de redução de emissões em países em desenvolvimento. O Secretariado de Mudança Climática da ONU, responsável pelas validações de créditos de carbono válidos para a medição sob Kyoto, contabilizava, até o dia 27 de agosto, 1.151 projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo aprovados, dos quais 760 – ou dois terços – se encontravam nesses três países. O MDL é o mecanismo previsto no Protocolo de Kyoto para que as nações que têm que reduzir suas emissões possam fazê-lo investindo em projetos de despoluição em países em desenvolvimento. Portanto, hoje, sem obrigatoriedade de reduzir suas emissões, os três países atraem investimento internacional com iniciativas que cortem gases de efeito estufa. Se passarem a ter que abater suas próprias emissões, essa fonte de recursos diminui.
Bolsas próprias
Com os Estados Unidos, o problema parece menor. Apesar de estarem fora do Protocolo de Kyoto, vários estados americanos já têm legislação com metas próprias de redução de emissões, liderados pela Califórnia, o mais rico deles. E, em Chicago, já há uma Bolsa de comercialização de títulos lastreados em redução de emissão de carbono, que bate mensalmente seus recordes de comercialização.
Por fim, já é consenso que o desmatamento, responsável por até 20% das emissões mundiais, precisa ser reduzido com compensações financeiras. Mas ainda não há uma solução sobre como fazê-lo. A iniciativa do governo amazonense chamada de Bolsa Floresta – um valor é pago aos moradores de áreas intocadas para que não a desmatem – é citada como modelo a ser desenvolvido. A WWF estima que a criação de um sistema de salvaguardas de florestas tropicais custe de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões por ano, e sugere que esses recursos venham exatamente do mercado de créditos de carbono.
O prazo para fechar um acordo que valha após o fim de Kyoto é 2009. As discussões seguem em seminários internacionais de dois em dois meses. Os olhos do mercado de carbono estão voltados neste momento para Acra, em Gana. De lá, pode sair a boa notícia de um avanço nas negociações. Ou mais incertezas quanto ao futuro desse esquema de comercialização.
Por Fabíola Salani, jornalista especialista em temas econômicos, gerente de atendimento na Entrelinhas Comunicação. Publicado em O Economista.





















