A maioria das lavouras de soja do País deverá permanecer sem nenhum tipo de plantação nas próximas semanas como forma de combate à ferrugem asiática.
Contra ferrugem, lavoura de soja ficará vazia
Redação (19/06/07) – O procedimento de vazio sanitário foi recomendado por uma instrução normativa do Ministério da Agricultura no começo do ano e deve durar 90 dias a partir de 1º de julho.
É a primeira vez que a medida é utilizada amplamente no país. Oito Estados -entre eles grandes produtores, como Mato Grosso e Goiás- já decidiram que vão aderir ao bloqueio. No ano passado apenas dois Estados fizeram o procedimento.
Segundo o Embrapa, foram registrados na última safra 2.980 focos de ferrugem asiática no país -o dobro do constatado em 2005/2006. O prejuízo na safra foi avaliado em US$ 2,19 bilhões. A Bahia foi o Estado com mais focos -846. As punições para quem furar o bloqueio serão determinadas pelos Estados. Em Goiás, por exemplo, o infrator vai pagar multa de R$ 2.500 e, se insistir, pode ter a plantação destruída. Técnicos dos governos estaduais farão a fiscalização.
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O objetivo da determinação é concentrar o plantio da soja em uma mesma época do ano como forma de interromper o ciclo da doença. Atualmente, a ferrugem asiática é transmitida de uma safra para a outra. Sem plantas vivas no campo, o esporo não sobrevive após um período de 60 dias, segundo o Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura.
O consórcio antiferrugem, um grupo de especialistas coordenado pelo Embrapa, estima que a doença tenha provocado perdas de 4,5% da última safra de soja no país. A doença, provocada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, ataca as folhas da plantação e causa queda precoce dos grãos. Mesmo com a implantação do vazio sanitário, a moléstia, que é disseminada pelo vento, deve voltar a atingir o país em poucos meses. Com o procedimento, no entanto, o período em que a doença afeta as plantações será diminuído.
A Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso), uma das maiores entidades representativas do setor no país, apóia a medida, apesar de os meses de julho a setembro tradicionalmente serem destinados à produção de sementes. O governo de São Paulo ainda não decidiu se vai participar do bloqueio. No Paraná, a adesão só vai acontecer no ano que vem.





















