Encabeçado pela ABPA e com forte apoio da cadeia de carnes, manifesto alerta que ataques a parlamentares ferem a democracia e ameaçam a produção de alimentos e o abastecimento nacional
Setor de proteína animal e líderes do agro lançam nota de repúdio contra intimidações no debate sobre jornada de trabalho

Uma coalizão de peso composta pelas principais entidades do agronegócio e da indústria brasileira uniu vozes para manifestar um veemente repúdio à onda de ataques, ameaças e tentativas de intimidação direcionadas a parlamentares e lideranças institucionais. O estopim do manifesto é o acirramento ideológico em torno das discussões das Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tratam da alteração da jornada de trabalho no Congresso Nacional.
O movimento ganhou forte protagonismo do setor de proteína animal brasileira. A nota foi endossada publicamente pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) — que representa as cadeias nacionais de avicultura e suinocultura — e conta com o apoio de gigantes do setor de carnes, como a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), além de outras lideranças da indústria de alimentos.
Os líderes ressaltam que a liberdade de expressão e o debate plural são pilares inalienáveis do Estado Democrático de Direito, mas alertam que o ambiente de coerção atual tenta silenciar visões técnicas por meio do medo.
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O Risco para a Cadeia de Alimentos e Abastecimento
As entidades chamam a atenção para a complexidade do tema. No caso específico da proteína animal, o regime de produção lida com seres vivos e processos biológicos contínuos (em granjas e frigoríficos), o que exige uma dinâmica logística extremamente ajustada. Alterações abruptas na jornada de trabalho sem o devido critério técnico podem desestruturar essa engrenagem.
De acordo com o documento, o debate precisa ser pautado pela responsabilidade pública, pois afeta diretamente:
A produção e segurança alimentar: A cadeia de aves, suínos e bovinos depende de fluxos ininterruptos para garantir o abastecimento diário das gôndolas brasileiras e evitar o desperdício.
A geração de empregos e renda: Risco de perda de eficiência e custos adicionais severos em setores que já operam com margens estreitas.
A competitividade internacional: O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo e líder em carne bovina; pressões desmedidas sobre o custo laboral podem retirar o país de mercados estratégicos.
“Nenhuma democracia se fortalece quando o medo tenta substituir o diálogo, quando a violência busca silenciar opiniões divergentes ou quando o ambiente público é contaminado por ataques pessoais e discursos de intolerância”, destaca um trecho do manifesto.
Defesa do Diálogo Técnico
ABPA, ABIEC e as demais forças produtivas reforçam que as divergências de opinião fazem parte do processo democrático. No entanto, repudiam de forma categórica qualquer tentativa de deslegitimar a participação de técnicos e representantes que buscam municiar o Congresso com dados econômicos reais.
A nota se encerra com um chamado à racionalidade e à construção de políticas públicas por meio de uma confrontação de ideias que seja legítima, civilizada e responsável, livre de perseguições ou patrulhamento ideológico























