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Brasil fecha maior contrato de crédito de carbono com alemão KFW

O valor do contrato não pode ser revelado, mas ficou acima dos 15 euros por tonelada.

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O Brasil fechou ontem (06) o maior contrato de créditos de carbono gerado já registrado pela Organização das Nações Unidas (ONU), numa operação entre a Biogás, sócia da Prefeitura de São Paulo no Aterro Bandeirantes, e o banco alemão KFW, informou a Econergy, responsável pelo negócio.

O Aterro Bandeirantes, um dos maiores projetos em geração de energia elétrica a partir do lixo do mundo, vendeu para o KFW 1 milhão de toneladas de crédito de carbono. Isso será repassado para empresas clientes do banco europeu.

No total, o projeto prevê gerar 8 milhões de toneladas de crédito de carbono até 2012, que serão posteriormente negociadas.

O Aterro recebe metade do lixo de São Paulo, ou 80 mil toneladas diárias, e utiliza o metano liberado para gerar energia elétrica. A usina termelétrica do Aterro gera 22 megawatts.

“É o maior contrato mundial já assinado. Estamos desde 2004 negociando e agora recebemos auditoria e aprovação da ONU”, explicou à Reuters o vice-presidente de transações da Econergy International, Marcelo Junqueira.

Ele afirmou que o valor do contrato não pode ser revelado, mas ficou acima dos 15 euros por tonelada que vem sendo fechado no mundo, em operações que normalmente giram em torno de 300 mil a 500 mil toneladas.

“Nenhum projeto desse porte, no entanto, já tem crédito de carbono gerado, como a do Aterro Bandeirantes, ou seja, é uma pronta entrega”, explicou Junqueira.

O mercado de crédito de carbono, que surgiu a partir do Protocolo de Kyoto, gerou transações de 9,4 bilhões de euros em 2005, contra os 377 milhões de euros em 2004, segundo a Econergy, empresa especializada em projetos energéticos e com sede nos Estados Unidos.

Em fevereiro deste ano a Econergy abriu o capital na bolsa de Londres para investir em projetos de energia limpa na América Latina e Caribe. A idéia é aplicar apenas no Brasil entre 40 e 50 por cento dos 125 milhões de dólares que a Econergy captou, 105 milhões pela emissão de ações e 20 milhões por meio do CleanTech Fund.

PROJETOS
Dos 207 projetos de crédito de carbono registrados na ONU, 45 são brasileiros, disse Junqueira, sendo 21 negociados pela Econergy. Entre os projetos está o que poderá ser o maior parque eólico da América Latina, no Rio Grande do Sul, com 150 megawatts, da empresa Ventos do Sul, e o da Cia Açucareira Vale do Rosário, que prevê a geração de energia elétrica e vapor através da queima do bagaço de cana-de-açúcar. A usina tem capacidade instalada de 101 megawatts e fechou um contrato de carbono com a Agência Sueca de Energia.

O protocolo de Kyoto começou a vigorar em fevereiro de 2005 e tem por objetivo a redução da emissão de gases na atmosfera, principalmente gás carbônico. Países desenvolvidos, por serem maiores poluidores, precisam adquirir de países em desenvolvimento, como o Brasil, créditos de carbono para atingir metas estabelecidas pela ONU.

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