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Brasil ganha espaço nas compras globais da rede McDonalds

Lojas da cadeia dos EUA em vários mercados compram mais carnes bovina e de frango e suco do país.

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Redação AI (17/03/06)- Uma parcela cada vez mais representativa da carne bovina utilizada nos hambúrgueres do McDonald””””s no mundo é produzida no Brasil, atualmente o 8 principal mercado da rede americana em faturamento. Segundo Alcides Terra Júnior, vice-presidente para assuntos corporativos do braço brasileiro da multinacional, o mesmo acontece com carne de frango e suco de laranja, e o movimento em geral é crescente desde 2000.

“A participação do país no fornecimento de matérias-primas tem crescido com vigor e há ainda um grande potencial de expansão, principalmente para carnes”, diz Terra Júnior. A subsidiária do McDonald””””s no Brasil não exporta diretamente esses produtos agropecuários, mas serve de apoio para que parte de seus 210 fornecedores no país exportem para filiais da rede na Europa, no Mercosul, no Chile, no Oriente Médio e no Japão.

Em 2005, as exportações brasileiras de cortes de carne bovina para o grupo McDonald””””s alcançaram 6 mil toneladas. A previsão para este ano é atingir 10 mil toneladas e, em 2007, 18 mil. No caso da carne de frango, os embarques foram de 4 mil toneladas em 2005 e a projeção é chegar a 10 mil toneladas em 2006 e a 14 mil no ano que vem. Essas projeções ainda não consideram o efeito da gripe aviária na Europa e na Ásia e o novo caso de “vaca louca” nos EUA.

Terra Júnior preferiu não citar números referentes a anos anteriores, mas diz que o aumento da demanda da rede acompanhou o avanço das carnes brasileiras no mundo. Segundo dados de Abiec e a Abef (que representam exportadores brasileiros de carnes bovina e de frango), os embarques desses produtos cresceu mais de 300% entre 2000 e 2005.

Antônio Carlos Pontes, estrategista de proteínas da rede, observa que as exportações de carne para as lojas da empresa já estão muito próximas do total consumido no país e com previsão de superar esses volumes este ano. O McDonald””””s projeta para 2006 um consumo de 18 mil toneladas de carnes no Brasil e vendas para a rede no exterior de 20 mil toneladas. “Cada vez mais o Brasil ganha um papel estratégico para a rede”, diz.

Pontes afirma que o avanço das exportações brasileiras se deve ao enquadramento dos fornecedores a programas de qualidade implantados pela multinacional, como de rastreabilidade da carne e o BSE firewall – um programa de tratamento para evitar risco de “vaca louca”. “À medida que um frigorífico se habilita para vender ao McDonald””””s no Brasil, abre portas para atender à rede no mundo”.

Os principais fornecedores de carne bovina para a rede no Brasil e no mundo são o Frigorífico Marfrig e a Braslo Alimentos (controlada pelo grupo americano OSI). A carne de frango é fornecida principalmente pela Sadia. Procurada pelo Valor, a Sadia confirmou que fornece produtos à rede no exterior, mas não deu mais detalhes.

A Braslo, que em 2005 exportou 1,3 mil toneladas de produtos de frango para o Japão, espera abrir no curto prazo mercados no Oriente Médio e Europa, segundo Roberto Ruban, diretor-geral. do grupo. “Por ser um grupo que cresce constantemente, os fornecedores acabam crescendo junto”, afirma. Hoje, o McDonald””””s responde por 70% das vendas da Braslo, que em 2005, faturou R$ 140 milhões.

“O licenciamento no Brasil permitiu ao Marfrig exportar cortes de carnes para outros fornecedores do McDonald””””s no mundo”, diz Marcos Molina, presidente do frigorífico. Ele diz que o Marfrig começou a fornecer cortes para abastecer a rede há cinco anos e hoje esse cliente já representa 5% das vendas do frigorífico no Brasil.

Alcides Terra Júnior observa que o Brasil também é responsável por 95% do suco de laranja consumido pela rede no mundo, mas preferiu não citar números. Segundo ele, somente os EUA usam suco próprio.

O executivo do McDonald””””s diz que, assim como no exterior, a rede projeta expansão das vendas no Brasil este ano. Desde 2003, quando a multinacional iniciou um programa de reestruturação, as vendas no país têm crescido acima de 10% ao ano. Em 2005, o grupo faturou R$ 2,1 bilhões no Brasil, 13,1% mais que no ano anterior.

A projeção para 2006 era crescer 7,5% mas, segundo Terra Júnior, as vendas no primeiro trimestre já superaram dois dígitos. Ele diz que a diversificação do cardápio tem ajudado a aquecer as vendas. “Em ano de Copa do Mundo e de eleições a demanda por alimentação fora de casa historicamente cresce”, completa. No Brasil, o grupo atende em média 1,5 milhão de pessoas por dia. No mundo, a rede fatura em torno de US$ 43 bilhões por ano e atende 50 milhões de pessoas por dia em 118 países.

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