Entenda o papel dos biocombustíveis na transição energética brasileira em um seminário que reúne parlamentares e especialistas
Seminário debate papel dos biocombustíveis na transição energética brasileira

Em um contexto de instabilidade no cenário energético global e de intensificação das metas de descarbonização, a Comissão Especial sobre Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde (CEENERGIA) promoveu, na quarta-feira (25), o seminário “Mapa do Caminho – Biocombustíveis: a Rota Mais Curta”. O encontro reuniu parlamentares, representantes do setor produtivo, pesquisadores e membros do governo para discutir estratégias de transição energética no Brasil.
O evento foi realizado em parceria com a Coalizão pelos Biocombustíveis e contou com apoio de frentes parlamentares ligadas à economia verde, etanol, biodiesel, agropecuária, biogás e biometano.
Biocombustíveis como eixo estratégico da descarbonização
A iniciativa partiu dos deputados Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) e Bacelar (PV-BA) com o objetivo de aprofundar o debate sobre o papel dos biocombustíveis na redução das emissões no setor de transportes e na consolidação de novas rotas tecnológicas, como o hidrogênio verde.
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Arnaldo Jardim, presidente da CEENERGIA e coordenador da Coalizão dos Biocombustíveis no Congresso, destacou que o Brasil possui base estrutural e tecnológica favorável para liderar a transição energética, apoiado em uma matriz renovável já consolidada.
Segurança jurídica e coordenação institucional em pauta
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP 30 até novembro, afirmou que a conferência de Belém deverá marcar a passagem dos compromissos climáticos para a fase de implementação. Segundo ele, a coordenação entre governo, setor privado e sociedade civil será essencial para atrair confiança internacional.
O deputado Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, reforçou que previsibilidade regulatória é condição para ampliar investimentos no setor. Já o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, ressaltou a integração entre produção de alimentos e energia como diferencial competitivo do Brasil.
Ciência, produtividade e inovação tecnológica
O chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Alexandre Alonso, defendeu que os biocombustíveis devem ser tratados como política estratégica de desenvolvimento nacional, com foco em ganhos de produtividade e uso intensivo de ciência para enfrentar desafios climáticos.
Painéis técnicos abordam regulação, financiamento e expansão
Os debates foram organizados em painéis temáticos sobre inovação tecnológica, sustentabilidade, financiamento e metas de expansão. Especialistas da Unicamp, da Embrapa Agroenergia e da Associação Brasileira de Bioinovação discutiram avanços tecnológicos, enquanto representantes da USP e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis defenderam que a expansão dos biocombustíveis não compromete a segurança alimentar.
No eixo financeiro, técnicos da UNICA, do BNDES e da FINEP analisaram instrumentos como CBIOs, fundos climáticos e garantias regulatórias. Foi destacado que a bioenergia do agro já responde por parcela significativa da energia consumida no país, mas que o próximo ciclo exige investimentos estruturantes.
Escala, biomassa e posicionamento estratégico
No painel final, representantes de entidades do biodiesel, etanol de milho, biogás, resíduos, hidrogênio verde e do setor de petróleo discutiram metas de expansão e o posicionamento do Brasil no mercado global. A disponibilidade de biomassa e o aproveitamento da agricultura tropical foram apontados como vantagens competitivas, ao lado do potencial do biometano para substituir combustíveis fósseis em setores intensivos em energia.
Encaminhamentos e próximos passos
Ao final do seminário, Arnaldo Jardim apresentou um esboço do projeto de lei do “Mapa do Caminho”, que ficará aberto a contribuições públicas até 3 de março. A versão consolidada deve ser lançada em 9 de março, durante evento em São Paulo. Paralelamente, a Casa Civil e ministérios preparam o “mapa do caminho nacional”, que deverá ser apresentado ao Conselho Nacional de Política Energética.
Referência: FPA




















