Entenda como o conflito no Oriente Médio interrompe cadeias de suprimento e pressiona exportações de frango em todo o mundo
Conflito no Oriente Médio interrompe cadeias de suprimento e pressiona exportações de frango no mundo

A intensificação do conflito envolvendo o Oriente Médio e o Irã tem provocado disrupções relevantes na cadeia de abastecimento avícola, com impactos diretos sobre rotas comerciais estratégicas e o fornecimento de insumos essenciais. A interrupção do tráfego no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz compromete o fluxo logístico de produtos e matérias-primas, afetando tanto exportadores quanto a produção local.
Segundo a RaboResearch, divisão de análise do Rabobank, a região é altamente dependente de importações, especialmente para atender à demanda por carne de frango, principal fonte de proteína animal para a população.
Dependência externa amplia vulnerabilidade da cadeia avícola
O Oriente Médio responde por cerca de 8% do mercado global de carne de frango e concentra aproximadamente 15% do comércio internacional do produto. A relevância regional é reforçada pelo crescimento acelerado do consumo e da produção, com cerca de 10% da expansão global concentrada nesses mercados.
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A carne de frango representa aproximadamente 55% da ingestão proteica da população local, com crescimento anual estimado em 3%. Nas últimas duas décadas, a produção regional dobrou, superando 7 milhões de toneladas, enquanto o consumo atingiu cerca de 9 milhões de toneladas. Apesar dos avanços em autossuficiência, a região ainda depende da importação de aproximadamente 2 milhões de toneladas anuais, o equivalente a mais de 20% do consumo total.
Interrupções afetam ração, genética e insumos produtivos
Além das exportações de carne, o bloqueio logístico impacta o fornecimento de ração, material genético e equipamentos para granjas, elementos críticos para a manutenção da produção local. Países como Kuwait, Omã, Iraque, Bahrein e Emirados Árabes Unidos estão entre os mais vulneráveis, devido à forte dependência do Estreito de Ormuz para abastecimento.
A Arábia Saudita apresenta menor exposição logística relativa, com alternativas via Mar Vermelho e avanço consistente na produção doméstica. O país elevou sua autossuficiência de 40% em 2016 para cerca de 70%, com meta de atingir 85% nos próximos anos.
Brasil lidera exportações e pode ser o mais impactado
O Brasil é o principal fornecedor de carne de frango para o Oriente Médio, com embarques mensais próximos de 100 mil toneladas, volume que representa mais de um terço das exportações brasileiras do produto. Diante das restrições logísticas, o país tende a ser um dos mais afetados no curto prazo.
Outros exportadores relevantes incluem Turquia — único exportador líquido da região — além de Rússia, Ucrânia, Estados Unidos e países da União Europeia. No caso europeu, o impacto tende a ser mais limitado, com possibilidade de compensação por demanda interna mais aquecida.
Preços elevados e ajustes de mercado no curto prazo
A restrição de oferta e os gargalos logísticos devem pressionar os preços da proteína avícola na região, beneficiando produtores locais que conseguirem manter a produção ativa. Ao mesmo tempo, o cenário exige reconfiguração das rotas comerciais e ajustes estratégicos por parte dos exportadores globais.
O ambiente reforça a importância da diversificação de mercados e da resiliência logística para a cadeia avícola internacional, especialmente diante de eventos geopolíticos com potencial de impacto direto sobre o comércio e a segurança alimentar.
Referência: Poultry World





















