A onda de calor extrema no outono eleva temperaturas e preocupa o setor agropecuário no Brasil. Entenda as implicações
Onda de calor extrema no outono eleva temperaturas e preocupa setor agropecuário no Brasil

O início do outono de 2026 não segue o comportamento climático típico no Brasil. Em vez da esperada queda gradual das temperaturas, o país enfrenta um cenário de calor acima da média, com previsão de uma onda de calor classificada como extrema e atípica a partir do fim de março.
De acordo com a meteorologia, o fenômeno atende aos critérios da Organização Meteorológica Mundial (OMM), sendo caracterizado por temperaturas ao menos 5°C acima da média mensal por um período mínimo de cinco dias consecutivos. No entanto, os modelos indicam uma intensidade ainda maior, com desvios que podem alcançar até 10°C acima do padrão em diversas regiões.
A origem do evento está associada à formação de uma bolha de calor sobre a Argentina, que se expande para países vizinhos, incluindo o Brasil e o Uruguai. A dinâmica atmosférica envolve a atuação de um jato de altos níveis — corrente de vento a cerca de 10 quilômetros de altitude — que influencia diretamente a organização dos sistemas meteorológicos. Simultaneamente, correntes em baixos níveis da atmosfera, em torno de 1,5 mil metros de altura, transportam ar quente de forma contínua para o interior do continente, intensificando o aquecimento.
Leia também no Agrimídia:
- •Previsão indica transição do La Niña para El Niño e impactos na produção do Sul do Brasil
- •Clima no Brasil: frente fria mantém instabilidade no Sul e VCAN intensifica chuvas no Centro-Oeste e Sudeste
- •Clima no agronegócio: outono inicia com instabilidade e reforça importância do monitoramento agrometeorológico em São Paulo
- •Frente fria eleva risco de temporais em grande parte do Brasil nessa semana
No Brasil, a onda de calor deve atingir áreas de três regiões: Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Estão no radar os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. A progressão do fenômeno começa pela Região Sul e avança gradualmente para as demais áreas.
As projeções indicam temperaturas elevadas já a partir do dia 27 de março, com registros entre 36°C e 38°C inicialmente na Argentina e no Uruguai, antes de avançarem sobre o território brasileiro. Em cidades como Porto Alegre, onde a média histórica para abril é de 26°C, os termômetros podem variar entre 33°C e 36°C durante vários dias consecutivos.
Em regiões mais afastadas do litoral, especialmente no interior do Rio Grande do Sul, os desvios térmicos podem ser ainda mais acentuados, com médias mensais até 15°C superiores ao esperado. Esse cenário reforça a preocupação com impactos sobre a produção agropecuária, especialmente na avicultura e suinocultura, segmentos altamente sensíveis ao estresse térmico.
A duração do fenômeno também chama atenção. As previsões apontam que o calor persistente deve se estender até pelo menos os dias 5 ou 7 de abril. Embora o enfraquecimento da massa de ar quente deva ocorrer inicialmente na Argentina, onde está concentrado o núcleo da bolha, a dissipação no Brasil tende a ser mais lenta, prolongando os efeitos por cerca de 10 dias.
Diante desse cenário, o período de transição entre estações se transforma em um intervalo de risco climático, exigindo atenção redobrada dos produtores quanto ao manejo térmico, ambiência e consumo hídrico dos animais, sobretudo em sistemas intensivos de produção.



















