Queda nas cotações, abate reduzido e debate sobre genética e custos ampliam incertezas no setor
Crise de preços na China e menor oferta nos EUA redesenham cenário da suinocultura global

O mercado global de suínos atravessa um momento de forte ajuste, com destaque para a pressão sobre os preços na China e a redução da oferta nos Estados Unidos. Enquanto os chineses enfrentam um dos piores ciclos de rentabilidade das últimas décadas, os produtores norte-americanos lidam com menor disponibilidade de animais para abate e expectativa de alta nas cotações.
Na China, os preços dos suínos estão entre os mais baixos dos últimos 20 anos, tanto para animais prontos para abate quanto para leitões. Ao mesmo tempo, o custo da alimentação segue elevado, com o milho cotado em torno de US$ 8,50 por bushel, o que tem gerado prejuízos estimados em cerca de US$ 50 por cabeça. Dados do primeiro trimestre apontam a liquidação de aproximadamente 600 mil matrizes, reduzindo o plantel nacional para pouco mais de 39 milhões de cabeças — movimento que tende a se intensificar diante das perdas acumuladas.
Nos Estados Unidos, o volume de suínos enviados ao abate recuou. Na última semana, foram comercializados 2,336 milhões de animais, número inferior ao registrado no mesmo período do ano passado e distante dos picos recentes. Com menor oferta disponível, frigoríficos têm disputado os animais e utilizado estoques próprios para manter o ritmo de processamento. A expectativa é de elevação nos preços nas próximas semanas, impulsionada pela redução contínua na disponibilidade.
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No campo dos custos, as projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam uma safra robusta em 2026, com produção estimada em 15,995 bilhões de bushels de milho e 4,425 bilhões de bushels de soja, o que pode contribuir para manter os preços da ração em níveis mais controlados, desde que não ocorram problemas climáticos relevantes.
Outro ponto de atenção é o impacto da edição genética no mercado. Estudo do economista Jason Lusk projeta uma queda de 26,22% nos preços dos suínos nos Estados Unidos em um horizonte de dez anos, o equivalente a cerca de US$ 50 por animal. A tendência também é observada em outros países, como Canadá, China, Japão e México, levantando preocupações sobre os efeitos da tecnologia na rentabilidade dos produtores, especialmente diante do aumento dos custos operacionais.
Além disso, cresce o debate sobre a formação de preços da carne suína. Estimativas indicam perdas anuais que podem chegar a US$ 1,9 bilhão para produtores norte-americanos, em comparação com os valores praticados na carne bovina, que seguem significativamente mais elevados. A diferença entre as proteínas reforça a discussão sobre a necessidade de revisão nos critérios de precificação, em busca de maior equilíbrio na cadeia produtiva.
Diante desse cenário, o setor acompanha com atenção os desdobramentos do mercado, entre ajustes de oferta, pressão de custos e mudanças estruturais que podem impactar a suinocultura nos próximos anos.























