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Suinocultura Industrial

Alta no abate e queda de preços pressionam suinocultura no início de 2026

Mesmo com avanço das exportações, aumento da oferta e enfraquecimento da demanda interna derrubam cotações e levam produtores ao prejuízo

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Alta no abate e queda de preços pressionam suinocultura no início de 2026

Os dados preliminares do abate de suínos no primeiro trimestre de 2026, divulgados pelo IBGE, indicam crescimento expressivo no volume de animais processados, ao mesmo tempo em que revelam queda no peso médio das carcaças e recuo significativo nos preços pagos ao produtor. Na comparação com o mesmo período de 2025, o número de cabeças abatidas avançou 5,49%, enquanto o peso médio caiu quase 2,5 quilos, resultando em aumento de 2,64% na produção total, equivalente a 35,2 mil toneladas adicionais.

Apesar do crescimento da produção, a elevação das exportações de carne suína in natura, que subiram 15,3% no período, praticamente compensou o excedente, mantendo a disponibilidade interna próxima da estabilidade, com leve recuo de 0,9%. Ainda assim, o mercado registrou forte queda nas cotações do suíno vivo, movimento que chama atenção diante do equilíbrio aparente entre oferta e demanda.

Parte da explicação está no aumento do número de animais abatidos. Foram quase 800 mil suínos a mais nos três primeiros meses do ano, com destaque para março, que concentrou crescimento de 9,46% em relação ao mesmo mês de 2025. Ao mesmo tempo, o peso médio das carcaças recuou para 89,6 quilos, patamar que não era observado desde o início de 2021, sinalizando antecipação de abates e possível redução de estoques nas granjas.

A pressão sobre os preços também reflete o comportamento do consumo interno. Mesmo com o bom desempenho das exportações, a maior oferta de proteínas concorrentes no mercado doméstico contribuiu para o enfraquecimento da demanda por carne suína. No período, a disponibilidade combinada de carne bovina e de frango aumentou em mais de 180 mil toneladas, ampliando a concorrência no varejo e influenciando as cotações.

Nos principais estados produtores, a queda nos preços foi acentuada. Em São Paulo e Minas Gerais, a média do primeiro trimestre recuou 12,6% e 15,4%, respectivamente, em relação ao ano anterior. Em abril, as cotações caíram ainda mais, e os valores seguiram em níveis reduzidos ao longo de maio, aprofundando as perdas para o produtor.

Mesmo com custos de produção relativamente estáveis, impulsionados por um cenário de ampla oferta de milho e farelo de soja, a relação de troca se deteriorou de forma contínua. O indicador acumula oito meses seguidos de queda, refletindo o descompasso entre receitas e despesas. Em abril, pela primeira vez em meses, os dados apontaram prejuízo na atividade suinícola independente, conforme cruzamento entre custos levantados pela Embrapa e preços apurados pelo Cepea.

O cenário indica que a retração nas cotações não está associada apenas ao aumento da oferta, mas também à perda de fôlego do mercado interno. A expectativa do setor é por uma recuperação dos preços nos próximos meses, condição considerada essencial para restabelecer a rentabilidade da atividade.

Fonte: ABCS/IBGE

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