Trabalho da Profa. Dra Masaio Mizuno Ishizuka analisa alternativas técnicas e defende soluções integradas para biosseguridade no campo
Estudo aponta caminhos para destinação de animais mortos e reforça modelo catarinense

O estudo elaborado pela Profa. Dra. Masaio Mizuno Ishizuka, Titular Emérita de Epidemiologia da FMVZ-USP, analisa os principais modelos de destinação de animais mortos em propriedades rurais e destaca a necessidade de soluções estruturadas para reduzir riscos sanitários, ambientais e operacionais na produção pecuária.
O trabalho reúne dados técnicos, experiências práticas e avaliação de diferentes tecnologias utilizadas no Brasil, partindo do entendimento de que a gestão inadequada de carcaças representa um dos pontos críticos da biosseguridade nas granjas. A proposta central é apresentar alternativas viáveis conforme a escala produtiva e a realidade de cada região.
Entre as soluções analisadas, o estudo aponta a compostagem como tecnologia consolidada e acessível, especialmente para pequenas e médias propriedades. Já sistemas como biodigestão ganham relevância quando integrados ao manejo de dejetos, permitindo aproveitamento energético e destinação adequada dos resíduos. A fragmentação de carcaças aparece como alternativa intermediária, facilitando o manejo, mas exigindo tratamento complementar.
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Por outro lado, a incineração é tratada como uma solução restrita, indicada apenas em situações de emergência sanitária, devido ao alto custo e às exigências ambientais, sendo recomendada principalmente em casos de doenças de notificação obrigatória.
Referência nacional
O estudo dá destaque ao Projeto Recolha, desenvolvido em Santa Catarina, apontado como uma das iniciativas mais avançadas do país. O modelo estruturou uma cadeia completa de coleta, transporte e processamento de carcaças, demonstrando a viabilidade de um sistema integrado fora das propriedades rurais.
A experiência catarinense foi determinante para a criação da Instrução Normativa nº 48/2019, que estabeleceu diretrizes nacionais para o recolhimento e destinação de animais mortos. Ainda assim, o levantamento mostra que poucos estados conseguiram implementar sistemas semelhantes em larga escala, mantendo a gestão interna como prática predominante.
Ao final do estudo, Ishizuka reforça que não existe uma solução única para o problema. A destinação adequada depende de uma abordagem integrada, com participação do produtor, das agroindústrias e do poder público, além de infraestrutura e modelos econômicos que garantam sustentabilidade ao sistema no longo prazo.
Leia o estudo completo: aqui























