Estudo do Reino Unido aponta etapas críticas do processamento e reforça necessidade de controle integrado para reduzir contaminação
Escaldagem se destaca como principal barreira contra Campylobacter em abatedouros de aves

Um estudo conduzido pela Agência de Normas Alimentares do Reino Unido indica que a escaldagem das aves, etapa em que os animais são imersos em água quente antes da retirada das penas, é a medida mais eficaz para reduzir a presença de Campylobacter em abatedouros. A bactéria é uma das principais causas de intoxicação alimentar no país, tendo na carne de frango uma das principais vias de transmissão.
A análise reuniu evidências de diversas revisões científicas para avaliar o impacto de cada fase do processamento na contaminação das carcaças. Os resultados mostram que a escaldagem promove reduções significativas na carga bacteriana, consolidando-se como um ponto essencial de controle sanitário.
Os dados mais recentes do governo britânico evidenciam a relevância do tema. Em 2024, a Inglaterra registrou 70.352 casos de infecção por Campylobacter, um aumento de 17,1% em relação ao ano anterior. A elevação foi observada em todas as regiões, com destaque para Londres, enquanto o Nordeste apresentou a maior taxa proporcional de notificações. A maioria dos registros concentrou-se na faixa etária entre 50 e 79 anos, responsável por 44% dos casos laboratoriais confirmados. O pico de ocorrências foi registrado em junho, mantendo níveis elevados até outubro.
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Apesar da eficácia da escaldagem, outras etapas do processo apresentam desafios. A despenagem foi identificada como um ponto crítico, frequentemente associado ao aumento da contaminação, possivelmente devido à transferência de bactérias entre carcaças por meio de equipamentos. Já a evisceração apresentou resultados variáveis, indicando a necessidade de maior controle operacional para garantir sua efetividade na redução de riscos.
O estudo também avaliou métodos de lavagem e resfriamento. Embora essas etapas contribuam para diminuir a presença da bactéria, sua eficácia depende diretamente da temperatura da água e do tempo de exposição. Técnicas que utilizam produtos químicos mostraram bons resultados, mas não são autorizadas no Reino Unido e na União Europeia.
Entre as alternativas, o resfriamento por imersão em água fria demonstrou bons resultados, especialmente quando realizado por períodos prolongados. O congelamento após o processamento também se mostrou mais eficiente do que a refrigeração convencional, enquanto o congelamento superficial da carne surge como uma estratégia promissora.
A avaliação reforça que nenhuma etapa isolada é capaz de eliminar completamente o Campylobacter. No entanto, a combinação de melhorias ao longo de todo o processo industrial pode reduzir significativamente os níveis de contaminação e ampliar a segurança dos alimentos destinados ao consumo.
Fonte: Food Agribusiness























