Variabilidade genética do vírus dribla vacinas comerciais e eleva condenações por artrite em abatedouros
Reovírus aviário: Embrapa alerta para perdas na avicultura

O reovírus aviário (ARV) consolidou-se como um dos patógenos de maior impacto econômico para a avicultura de corte nacional. Em artigo técnico, os pesquisadores Luizinho Caron, Daiane Voss-Rech, Marcos A. Z. Mores e Iara M. Trevisol, da Embrapa Suínos e Aves, alertam que o surgimento de novas variantes genéticas tem driblado as vacinas comerciais tradicionais e elevado as taxas de condenações de carcaças nos abatedouros devido a lesões articulares.
Embora muitas cepas atuem de forma assintomática, as variantes patogênicas do reovírus induzem quadros severos de artrite e tenossinovite em frangos de corte e perus. O resultado direto no campo inclui claudicação (aves mancas), severa desuniformidade dos lotes e aumento da mortalidade. O vírus também possui forte associação com as síndromes de má absorção e do nanismo aviário.
Diagnóstico e lesões identificadas no abate
Na maioria dos lotes, a identificação visual das aves afetadas em nível de granja é complexa. A confirmação do problema ocorre de forma mais evidente durante o processo de abate.
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As lesões características causadas pelo ARV incluem:
Inchaço evidente nas articulações do jarrete;
Inflamação e ruptura dos tendões flexores digitais;
Coloração verde-azulada na articulação em casos avançados da infecção.
Para mapear o cenário atual, a Embrapa Suínos e Aves realizou o isolamento viral de amostras colhidas em abatedouros de aves que apresentavam sintomas de artrite. Das 18 amostras de tendões analisadas via testes moleculares de RT-qPCR, 15 foram reagentes e 12 resultaram em isolamento positivo. De acordo com os cientistas, o tendão da articulação do jarrete tem se mostrado o tecido mais eficaz e confiável para o diagnóstico laboratorial assertivo.
Desafio global: a alta variabilidade genética
O grande gargalo no controle do reovírus reside na sua estrutura genômica de RNA, propensa a mutações e rearranjos entre cepas. Atualmente, o vírus é dividido globalmente em sete clusters genéticos (CG).
Ao analisar o banco de dados de sequências de ARV circulantes no Brasil, os pesquisadores da Embrapa identificaram a presença de seis dos sete clusters existentes (apenas o CG-VII, restrito aos EUA, não foi detectado).
Embora as vacinas comerciais mais utilizadas pertençam ao Cluster I, a maioria das amostras brasileiras desse mesmo grupo já forma um subgrupo geneticamente distante das cepas vacinais regulamentares. Isso explica por que os surtos de tenossinovite continuam crescendo mesmo em plantéis vacinados.
Estratégias de controle: biosseguridade e vacinas autógenas
Dada a alta resistência do reovírus — que sobrevive mais de 10 semanas na água e resiste ao calor e a vários desinfetantes —, os autores destacam que o controle exige ações combinadas:
Manejo e Higiene: Evitar o alojamento de aves de múltiplas idades na mesma granja, realizar a troca total da cama em aviários positivos, adotar o uso de roupas exclusivas por galpão e manter o controle rigoroso de pragas.
Vacinas Autógenas: O uso de vacinas personalizadas (autógenas), produzidas com o isolamento das variantes específicas de cada granja, tornou-se uma ferramenta indispensável para proteger as matrizes e garantir a transferência de anticorpos para a progênie.
Os especialistas concluem que a caracterização contínua das cepas de campo é fundamental. Sem conhecer a prevalência exata dos genótipos de cada integração avícola, a inclusão de antígenos incorretos nas vacinas pode falhar na proteção e, em pior cenário, favorecer novas recombinações virais.
Leia o artigo completo em: https://agrimidia.com.br/revista/ai-1343/























