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Agronegócio

Agro brasileiro precisa focar em valor agregado, aponta Jogi Oshiai

Especialista alerta que exigências ESG e sanitárias já são realidade e redefinem a competitividade no campo

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Agro brasileiro precisa focar em valor agregado, aponta Jogi Oshiai

O Acordo entre Mercosul e União Europeia entrou em uma fase decisiva de consolidação regulatória, transformando-se em um marco que vai muito além da simples redução de tarifas alfandegárias. Em entrevista exclusiva, Jogi Humberto Oshiai, CEO do LIDE Bélgica, analisa os impactos estruturais desse tratado para o agronegócio brasileiro — com destaque para a avicultura — e adverte: tratar as exigências ambientais e sanitárias europeias como um evento futuro é o maior equívoco estratégico que o setor pode cometer.

Diretamente de Bruxelas, epicentro das decisões políticas da União Europeia, Oshiai destaca que as regras do bloco já estão moldando o comércio global e que as empresas que anteciparem a conformidade estarão liderando o mercado premium, independentemente da data final de ratificação do tratado.

Fim da era do preço: a vez dos atributos de valor

Para o especialista, que acompanha as negociações bilaterais desde a década de 1990, o agronegócio brasileiro vive uma mudança profunda de paradigma. O país deixa de competir exclusivamente por volume e preço baixo para ser avaliado por critérios rígidos de qualidade.

“O agronegócio brasileiro deixa de competir exclusivamente por preço e passa a ser avaliado por atributos como qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade”, afirma Oshiai.

No caso da avicultura e de outras proteínas animais, o CEO aponta três vetores técnicos que a União Europeia passará a exigir com maior intensidade:

  • Sanitário: Fortalecimento rigoroso dos sistemas de controle de salmonella e prevenção contra a Influenza Aviária.

  • Ambiental: Gestão eficiente de resíduos nas granjas, uso racional da água e comprovação da redução da pegada de carbono.

  • Rastreabilidade: Sistemas digitais integrados que realizem o monitoramento completo do lote, do campo até a mesa do consumidor final.

O fantasma do protecionismo e a resistência francesa

Questionado sobre o ambiente político em Bruxelas, Oshiai pondera que o acordo é visto como “inevitável, mas não irreversível”. Existe um forte apoio de setores industriais e do grande varejo europeu, que enxergam vantagens comerciais mútuas. Por outro lado, o lobby agrícola e as pressões políticas internas em determinados Estados-membros ainda atuam como forças de resistência.

O principal foco de oposição continua sendo a França, onde a abertura de mercado para o Mercosul esbarra em sensibilidades econômicas e eleitorais de base. Somado a isso, a Política Agrícola Comum (PAC) da Europa segue fornecendo subsídios substanciais aos produtores locais, gerando uma competitividade artificial dentro do bloco. Diante disso, Oshiai reforça que a resposta do Brasil deve ser a diferenciação por meio de certificações de origem e bem-estar animal.

Oportunidades por segmento e o “ESG 2.0”

A reorganização geopolítica global transformou o tratado em uma aliança estratégica de segurança alimentar para a Europa — que busca diversificar fornecedores frente a potências como China e Estados Unidos — e de inserção em cadeias de valor para o Mercosul. No entanto, as oportunidades não se distribuirão de forma igual entre as cadeias produtivas do agro:

  • Altamente beneficiados: Avicultura, fruticultura (frutas tropicais), sucos, café e o setor de pesca possuem alto potencial de captura de valor por meio de nichos certificados.

  • Sob forte pressão: As cadeias da carne bovina, da soja e do açúcar enfrentarão as cobranças mais severas de rastreabilidade, sofrendo o impacto direto de legislações severas como o EU Deforestation Regulation (regulamento antidesmatamento da UE).

O executivo conclui sinalizando que o Brasil precisa adotar uma postura proativa, garantindo uma presença institucional qualificada em Bruxelas para participar ativamente da construção das regras. Na era do “ESG 2.0”, a transparência de dados auditáveis deixou de ser custo para virar o principal ativo de reputação e garantia de mercado para o produtor rural.

Leia a entrevista completa em: https://agrimidia.com.br/revista/ai-1343/

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