Consumo doméstico desaquecido força a primeira queda nas cotações desde agosto de 2025; produtores elevam envios aos EUA para driblar futuras taxações
Preços da tilápia recuam no mercado interno, mas exportações atingem o maior volume de 2026

O mercado nacional de tilápia operou em duas velocidades distintas no fechamento de junho. Enquanto os preços pagos aos piscicultores registraram queda em todas as regiões produtoras acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) devido à lentidão do consumo doméstico, o canal de exportação ganhou tração e registrou os maiores volumes e faturamentos do ano.
De acordo com os pesquisadores do Cepea, a retração nos preços internos chamou a atenção por romper uma longa tendência de estabilidade e alta: em algumas praças, o setor não observava recuos nas tabelas desde agosto de 2025. O movimento foi provocado estritamente por uma demanda enfraquecida na ponta final da cadeia, uma vez que a oferta de peixes prontos para o abate não apresentou um aumento expressivo no mês.
Apesar das cotações menores, o poder de compra do produtor de tilápia foi favorecido em junho devido ao recuo paralelo nos custos de importantes insumos da atividade.
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Corrida para exportar antes de novas barreiras nos EUA
Se o mercado interno ficou travado, as vendas externas de tilápia e de seus produtos secundários (como subprodutos e coprodutos) dispararam, registrando o melhor desempenho mensal da piscicultura ao longo de 2026.
Analistas doCepea apontam que esse recorde nos embarques foi estratégico. Diante de um consumo doméstico muito fraco e atraídos pela valorização do dólar, os exportadores correram para antecipar os envios de carga aos Estados Unidos, principal destino do peixe brasileiro. O objetivo central foi internalizar o maior volume possível de mercadoria no mercado norte-americano antes da entrada em vigor das novas tarifas e sobretaxas anunciadas por Washington.
Fonte: Cepea























