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Brasil quebra barreira dos 180 milhões de toneladas de soja

Conab consolida maior safra da série histórica, com avanço de 5,3% na produção; salto na oferta interna de farelo de soja melhora a perspectiva de margens

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Brasil quebra barreira dos 180 milhões de toneladas de soja

O agronegócio brasileiro acaba de consolidar um marco histórico sem precedentes na produção de grãos. O décimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmou que a safra de soja 2025/26 encerrou seu ciclo principal atingindo a marca recorde de 180,57 milhões de toneladas. O resultado coroa um desempenho de campo excepcional, em que a expansão de área e a produtividade média superaram os melhores anos da série histórica nacional.

A colheita da safra de verão foi concluída em todas as principais regiões produtoras no início de junho. Apesar de desafios pontuais decorrentes do clima ao longo do desenvolvimento das lavouras, a oleaginosa expressou sua alta resiliência, garantindo produtividades que superaram os recordes do ciclo 2024/25.

A Nova Fronteira da Soja Brasileira

Os dados detalhados mostram que a expansão do setor foi sustentada por ganhos consistentes em todas as pontas da equação produtiva:

SafraÁrea (mil ha)Produtividade (kg/ha)Produção (mil t)
2023/2446.095,93.282151.283,4
2024/2547.346,13.622171.480,5
2025/26 (Jul/26)48.640,63.712180.568,0
Variação (25/26 x 24/25)+2,7%+2,5%+5,3%

Graças a novos mapeamentos territoriais da Conab, a área plantada foi reajustada para cima, atingindo 48,6 milhões de hectares. O rendimento médio nacional fechou em impressionantes 3.712 kg/ha.

Radiografia nos Estados: O Sucesso do Meio-Norte e do Nordeste

O encerramento do ciclo consolidou grandes marcas regionais:

  • Piauí (A maior produtividade da história): O estado se consagrou como o grande destaque de eficiência produtiva do país nesta safra, alcançando uma produtividade recorde de 3.966 kg/ha — um salto expressivo de 15,3% em comparação ao ano anterior.

  • Maranhão: Superando o início do plantio sob tempo seco e o excesso de chuvas no oeste (Imperatriz e Pindaré) que atrasou o encerramento da colheita até meados de junho, o estado registrou ótimas médias, com rendimentos superiores a 3.600 kg/ha.

  • Fronteiras Ativas (Alagoas, Ceará, Tocantins e Roraima): A soja de safrinha cultivada nas várzeas do Tocantins (Lagoa da Confusão e Formoso do Araguaia) avança sob clima seco, com foco exclusivo na produção de sementes de alta qualidade. Em Alagoas, as chuvas de junho mantiveram a umidade do solo adequada para a maturação, enquanto Roraima finalizou o plantio com ótimo desenvolvimento vegetativo.

Esmagamento e Exportações: O Impulso do Biodiesel

A Conab promoveu ajustes importantes no balanço de oferta e demanda doméstica para 2026. O grande destaque é a demanda interna por industrialização:

  • Esmagamento Recorde: O volume estimado de soja processada no país subiu para 62,57 milhões de toneladas (um aumento de quase 1 milhão de toneladas frente às projeções anteriores). Essa forte atividade industrial é sustentada pelo aumento no consumo de óleo de soja voltado para a mistura de biodiesel (sob a expectativa do B16) e pelas vendas firmes de farelo de soja no mercado doméstico.

  • Exportações e Importações: O volume de exportações em grãos foi reajustado para 116,3 milhões de toneladas. Por outro lado, para atender ao forte ritmo das indústrias processadoras, a estimativa de importação de soja em grão subiu de 500 mil para 900 mil toneladas. Com o escoamento acelerado, os estoques finais nacionais recuaram para 8,8 milhões de toneladas.

Proteínas em Foco: Alívio nos Custos de Aves e Suínos

Para as cadeias de avicultura de corte e suinocultura, a confirmação da supersafra de soja é um fator de grande alívio financeiro. Diante de um cenário em que as indústrias gaúchas e nacionais enfrentam pressões no mercado externo e custos de transporte em alta, a alimentação animal passa a atuar como um porto seguro.

O aumento do esmagamento doméstico expandiu diretamente a produção de farelo de soja no país em 878 mil toneladas. Com esse excedente industrial, os estoques de passagem do farelo de soja receberam um reforço de 578 mil toneladas.

Essa abundância de farelo — principal fonte de proteína na nutrição de aves e suínos — tende a estabilizar ou pressionar para baixo os preços da ração animal no mercado interno. A maior oferta do grão e de seus subprodutos compensa eventuais pressões nas margens dos produtores, dando ao Brasil a competitividade necessária para atravessar o restante do ano de 2026.

Da Redação, com informações Conab

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