Kátia Abreu vê em Angola oportunidade para diversificar mercados do agro brasileiro
Ex-ministra chama tarifaço dos EUA de ‘absurdo’ e aposta na África

A ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu criticou a política tarifária dos EUA contra o Brasil e defendeu a diversificação de mercados, com destaque para a aproximação com a África. A declaração foi dada em Luanda, onde acompanha discussões sobre cooperação agrícola entre Brasil e Angola.
Tarifaço de Trump é “absurdo”, diz Kátia Abreu
“É simplesmente um absurdo um país unilateralmente, com a influência e o poder dos Estados Unidos, fazer imposições que significam quase um massacre para os países”, afirmou. Ela disse confiar na capacidade de negociação do Itamaraty, com base na experiência do primeiro tarifaço de Trump.
Para a ex-ministra, o momento exige reação diplomática e visão de longo prazo para diversificar parceiros comerciais. Ela citou a aproximação com a China e defendeu maior integração com o continente africano.
Leia também no Agrimídia:
Angola surge como nova fronteira agrícola
Kátia vê em Angola uma oportunidade estratégica, apesar da pressa do governo local para atrair produtores brasileiros. Segundo ela, a chegada de poucos investidores — como um grupo de irmãos brasileiros já de olho no país — pode puxar um movimento maior.
“Na hora que chegar um produtor, dois produtores do Brasil, eles vão acabar puxando outros agricultores”, disse.
Infraestrutura e energia são os principais desafios
A ex-ministra afirmou que Angola pode avançar mais rápido que o Brasil por não precisar repetir todo o processo histórico, mas depende de investimentos em estradas e energia para viabilizar agroindústrias e frigoríficos.
“Para o Brasil chegar onde chegou, levou no mínimo 50 anos. Angola pode demorar muito menos”, disse.
Segundo Kátia, as condições agrícolas angolanas se assemelham às do Brasil, e investimentos com transferência de tecnologia podem recolocar o país entre os grandes produtores de alimentos do continente.
A ex-ministra defendeu maior participação da Embrapa no desenvolvimento agrícola africano, associando a cooperação também a uma dimensão histórica ligada ao tráfico de escravizados entre Angola e Brasil.
“Não podemos olhar somente para Europa e Estados Unidos. Temos que olhar para o Sul”, afirmou.
Fonte: CNN






















