Na AveSui 2026, Losivanio Luiz de Lorenzi detalha o projeto que liga Paraguai, Argentina e Dionísio Cerqueira (SC) por balsa e defende redução de custos para manter a competitividade da suinocultura
Nova rota do milho paraguaio pode encurtar trajeto até SC em quase 300 km, afirma presidente da ACCS

A importação de milho do Paraguai por um novo trajeto, com travessia de balsa até a Argentina e entrada no Brasil por Dionísio Cerqueira (SC), deve reduzir custos para produtores, agroindústrias e cooperativas da região Sul. A avaliação é de Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), em entrevista à Agrimídia durante a AveSui 2026, em Cascavel (PR).
Segundo Losivanio, o trabalho começou em 2017, com a busca por uma alternativa à rota atual, que passa por Foz do Iguaçu (PR). O projeto envolveu a captação de um investidor para operar as balsas e a liberação, pela autoridade portuária paraguaia, de um porto em Carlos Antonio López, município com grande produção de grãos. A carga atravessa o Rio Paraná até o Porto de Eldorado, na Argentina, que também será ampliado, e segue até Santa Catarina.
Com isso, a distância até Chapecó (SC) cai para cerca de 400 quilômetros, ante quase 700 quilômetros no modelo usado hoje. “Sabemos que o custo de importação é muito grande quando é rodoviário, e assim vai ter um benefício a mais para os produtores, agroindústrias e cooperativas”, afirma.
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Competitividade e consumidor
Para o presidente da ACCS, reduzir custos é essencial para que o Brasil mantenha sua posição no mercado internacional. Ele lembra que 27% da produção é exportada e que o país se destaca em sanidade e biosseguridade, fatores que garantem o acesso aos mercados. “Para continuarmos com essa competência de exportação, precisamos também ter um custo menor”, diz.
O consumidor brasileiro também está no centro da preocupação. “Hoje o poder de compra está muito baixo, e precisamos fazer com que ele também tenha acesso a uma carne mais barata, de excelente qualidade, como é a da nossa suinocultura.”
Da Rota do Milho à Rota da Integração
O projeto nasceu como “Ruta del Maíz”, mas Losivanio sugere rebatizá-lo de Rota da Integração e Desenvolvimento, já que o trajeto deve servir tanto para importação quanto para exportação, inclusive para a Ásia, com conexão à Rota Bioceânica.
Do lado paraguaio, haverá uma aduana integrada; no Brasil, a fiscalização será concentrada em Dionísio Cerqueira. Na Argentina, onde a carga estará em trânsito, os trâmites já estão liberados, com cobrança de pedágio na saída da balsa para a manutenção das estradas. A operação começa com uma balsa de bandeira paraguaia e argentina, com capacidade para cerca de 120 caminhões por dia. “Se precisar de duas, três, quatro, cinco balsas, vai ter, porque o investidor quer realmente que o fluxo aconteça.”
Outra novidade é a intenção do Paraguai de exportar pelos portos de Santa Catarina, em negociação com o governo catarinense. A expectativa é que os portos no Paraguai e na Argentina estejam operando, no mais tardar, no início do próximo ano.
Fim do gargalo na Ponte da Amizade
Losivanio relata que, em visita recente a Assunção, encontrou uma fila de caminhões de cerca de 17 quilômetros, ainda em território paraguaio, à espera para entrar no Brasil. A pedido do ministro paraguaio Riquelme, a ACCS fará um levantamento dos municípios de onde sai o milho exportado, para que o governo do país possa distribuir o fluxo entre diferentes portos, pontes e estradas e evitar a sobrecarga da Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu.
Desenvolvimento para a região
O dirigente acredita que a nova rota vai transformar a economia ao longo do trajeto, com a chegada de oficinas, borracharias, hotéis, postos de combustível e restaurantes. “Tenho toda a convicção de que, nos próximos cinco anos, vai mudar toda a realidade daquela região”, afirma, citando especialmente o lado argentino, onde a economia depende da erva-mate e do reflorestamento.
Segundo ele, já há indústrias interessadas em se instalar na região e conversas com o governo argentino para garantir segurança a produtores brasileiros que queiram firmar parcerias para produzir milho, trigo e sorgo, grãos usados na alimentação de suínos.
Da Redação.
























