Trigo, cana e castanha são as culturas mais afetadas, enquanto o café se beneficia da umidade; na soja, as projeções vão de quebra a recorde
El Niño traz excesso de chuva no Sul e risco de seca na Amazônia, com efeitos nas safras até 2027

O pico do El Niño, previsto para novembro, aumenta a preocupação com os contrastes entre chuva e seca em regiões importantes para a produção agropecuária. O alerta, presente em relatórios de mercado e nas discussões de produtores e cooperativas desde maio, aponta para possíveis dificuldades nas safras até o primeiro semestre de 2027. Os efeitos variam conforme a cultura e a região.
Grãos de inverno
No Paraná, o excesso de chuva prejudicou a produtividade e a qualidade dos grãos de inverno. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), a produção deve somar 2,84 milhões de toneladas, 28% a menos que em 2025. O trigo deve ficar em 1,9 milhão de toneladas, queda de 34%, com menos área, menor rendimento e perda de qualidade, o que reduz a oferta para a panificação. A cevada perdeu a perspectiva de recorde e deve ficar em 492 mil toneladas, 2% abaixo de 2025.
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Cana-de-açúcar
No Centro-Sul, a chuva acima do esperado em junho e julho atrasou a maturação da cana e a colheita, reduzindo o teor de açúcar da matéria-prima. Estimativas de mercado apontam atraso de mais de 20% na safra, com moagem estendida até dezembro ou janeiro, e cerca de 50 milhões de toneladas que podem ficar no campo para o próximo ciclo, o que também pode afetar a safra 2027/28. No Nordeste, o problema é a seca, e a produção deve cair de 56,3 milhões para 55 milhões de toneladas.
Castanha-da-Amazônia
Na Amazônia, a preocupação é com novos períodos de calor e seca. Como a castanha leva de 12 a 18 meses entre a floração e a frutificação, o clima de um ano afeta as colheitas seguintes. Segundo a pesquisadora Patrícia da Costa, da Embrapa Meio Ambiente, a safra que começa agora tem perspectiva relativamente favorável, mas os ciclos seguintes preocupam. Dados do IBGE mostram que a produção, que oscilava entre 38 mil e 42 mil toneladas, caiu para 23 mil toneladas em 2017, após o El Niño de 2015/16, e para 26 mil toneladas após o episódio de 2023/24.
Café
No café, a chuva mantém boa umidade nas lavouras do Sul de Minas, de São Paulo, do Cerrado Mineiro, do Espírito Santo e do Paraná, segundo a World Weather. A Bahia, porém, segue seca.
Soja
Para a soja, as projeções divergem. Estudo da Serasa Experian estima que, se a produtividade repetir a do El Niño de 2023/24, a produção pode ficar 9,7% abaixo de um cenário neutro, uma diferença de 17,6 milhões de toneladas. Já a StoneX elevou a estimativa para o recorde de 184,95 milhões de toneladas, com o plantio acelerado e o clima favorável em Mato Grosso. Os levantamentos têm abordagens diferentes: a Serasa simula um cenário de risco, e a StoneX projeta a safra com base nas condições observadas até agora.
Com informações da CNN Brasil






















