Estudo do CNPEM, capa da Nature Microbiology, catalogou mais de 6 mil genomas microbianos, mais da metade de espécies desconhecidas pela ciência
Intestino do peixe-boi revela milhares de micróbios e enzimas inéditos com potencial para bioenergia e agricultura

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) descreveram no intestino do peixe-boi um dos mais ricos reservatórios de biodiversidade microbiana já encontrados em mamíferos aquáticos. O estudo, publicado na revista Nature Microbiology e escolhido como capa da edição, identificou milhares de microrganismos e enzimas com potencial para aplicações em biocombustíveis, bioinsumos agrícolas, ingredientes funcionais e saúde humana e animal.
A equipe analisou o microbioma intestinal de 47 peixes-boi amazônicos e marinhos e montou um catálogo com mais de 6 mil genomas bacterianos. Mais da metade pertence a espécies ainda não descritas. Os pesquisadores também reconstruíram os vírus associados a essas comunidades, e cerca de 80% eram desconhecidos.
“Ao compreender como esses microrganismos processam fibras vegetais de forma extremamente eficiente, abrimos caminho para o desenvolvimento de novas tecnologias sustentáveis baseadas em soluções que a própria natureza desenvolveu ao longo de milhões de anos de evolução”, afirmam Gabriela Persinoti e Mario Murakami, coordenadores da pesquisa, que teve apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
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Especialistas em fibras
Os peixes-boi se alimentam quase só de plantas aquáticas ricas em fibras e dependem de uma comunidade de microrganismos que trabalha em conjunto para quebrar celulose, hemicelulose e outros componentes resistentes das plantas. O estudo mostrou que esse microbioma também consegue metabolizar compostos derivados da lignina, um dos principais obstáculos para o aproveitamento industrial da biomassa vegetal. A descoberta pode ajudar a tornar mais eficientes as biorrefinarias e a produção de combustíveis renováveis, incluindo o combustível sustentável de aviação.
Enzima inédita
Entre os destaques está a epilactase, uma atividade enzimática nunca antes descrita na natureza, que permite a alguns microrganismos usar a epilactose, um açúcar inacessível para a maioria das bactérias. Os pesquisadores agora pretendem caracterizar as enzimas identificadas e avaliar seu uso em energia renovável, agricultura sustentável, saúde humana e animal e novos bioprodutos.
Fonte: CNPEM






















