Analistas destacam que os produtos continuam sujeitos aos controles mais rigorosos da China por causa de preocupações com a covid-19
Preço da carne bovina e de aves cai em agosto; demanda externa favorece cotação do suíno, aponta Citi

O banco Citi avalia que o mês de agosto manteve tendências semelhantes às observadas em julho no segmento de proteínas animais. Em relatório divulgado na manhã desta quarta-feira, analistas comentam a redução nos preços da carne bovina e de aves, enquanto os volumes de carne suína continuam crescendo. Além disso, destacam que os produtos continuam sujeitos aos controles mais rigorosos da China por causa de preocupações com a covid-19.
No mês de agosto, os preços da carne bovina em dólares norte-americanos caíram 4% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em quase todos os meses de 2020, houve crescimento de dois dígitos nas cotações. Na avaliação do Citi, a perspectiva ainda é positiva para os frigoríficos brasileiros neste ano, em virtude da menor concorrência do mercado internacional e da demanda aquecida da China pelo produto. Nesse sentido, até o momento, as companhias de carnes Marfrig e Minerva acumulam os melhores desempenhos em suas ações no ano (MRFG aumentou 73% no acumulado do ano e BEEF ficou estável).
Já em relação à carne de frango, os preços despencaram 20% em agosto, embora não seja uma queda sequencial mensal. Analistas do Citi afirmam que a dinâmica de preços está estável, mas ainda é preciso monitorar os riscos de abastecimento, uma vez que os alojamentos de frango cresceram em junho e julho no Brasil na comparação interanual. O banco comenta que, nesse contexto, a BRF é a que tem maior exposição às exportações de aves.
Leia também no Agrimídia:
- •Congresso APA de Ovos começa hoje em Limeira (SP) e reúne especialistas para debater mercado, sanidade e inovação na avicultura de postura
- •Master Agroindustrial anuncia R$ 250 milhões em investimentos para expansão da suinocultura com produtores integrados
- •Rio Grande do Sul intensifica vigilância após foco de influenza aviária em aves silvestres na Reserva do Taim
- •Curso de avicultura capacita produtores rurais na zona rural de Mossoró (RN)
Em contrapartida, os volumes de carne suína em agosto quase dobraram em relação ao ano anterior, segundo o banco. A expectativa é de que continuem nos níveis atuais, tendo em vista a retenção de matrizes pela China, na tentativa de recompor o rebanho após a peste suína africana. No relatório, analistas comentam que os preços do produto no Brasil estão quase 75% acima do verificado no mesmo período do ano passado, refletindo o incremento na demanda de exportação, o aumento das vendas no varejo e a desvalorização do real. “Esse é um bom sinal para margens de players de carne suína e alimentos processados no Brasil, como BRF e Seara”, avalia o Citi.
No documento, o Citi observa, ainda, que a cooperativa de Santa Catarina Aurora Alimentos suspendeu de forma voluntária as exportações de carne de frango de uma planta de processamento, depois que autoridades chinesas alegaram ter encontrado evidências do novo coronavírus em um lote originado na fábrica. Além disso, o banco lembra que nos últimos dois meses, o Ministério da Agricultura da China suspendeu as licenças de exportação de duas unidades de bovinos, duas de suínos e três de aves.





















