Oferta de animais foi restrita, enquanto embarques superaram setembro; no mercado interno, preços subiram
O movimento da carne suína em outubro, segundo o Cepea

O movimento de alta nos preços do suíno vivo e da carne foi intensificado em outubro, de acordo com o Boletim do Suíno, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Enquanto a oferta de animais para abate esteve restrita e consequentemente limitando a produção de carcaças e cortes, as exportações da carne apresentaram bom desempenho. Diante disso, os valores da maioria dos produtos suinícolas levantada pelo Cepea estiveram em patamares recordes reais das respectivas séries.
Para o suíno vivo, além da oferta reduzida e da demanda aquecida por parte da indústria, devido às exportações, os preços elevados dos principais insumos da atividade, milho e farelo de soja, motivaram produtores a buscar maiores valores na comercialização do animal, no intuito de garantir a rentabilidade da atividade.
De setembro a outubro, o suíno vivo negociado no mercado independente se valorizou 6,6% na região do Oeste Catarinense, com média de R$ 8,69/kg, recorde real da série histórica do Cepea, iniciada em março de 2002 e deflacionada pelo IGP-DI de outubro/20. Também recorde, no Norte do Paraná, o animal teve preço médio de R$ 8,71/kg em outubro, avanço de 5,5% na comparação com o de setembro.
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EXPORTAÇÕES EM ALTA, PREÇO ELEVADO
Apesar de registrar queda na última semana de outubro, os embarques de carne suína em outubro superaram o mês anterior. Segundo o Cepea, esse cenário resultou em uma menor disponibilidade da proteína no mercado doméstico. Como consequência, os preços aumentaram para os brasileiros.
De acordo com relatório da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em outubro, o Brasil exportou 87,6 mil toneladas de carne suína, volume 2,5% acima do observado em setembro e 21,7% a mais que em outubro do ano passado 19.
Apesar desse aumento no volume embarcado, a expectativa do setor era de que as vendas apresentassem desempenho ainda melhor, fundamentados nas exportações intensas nos 16 primeiros dias úteis do mês, quando a quantidade apenas de carne in natura já totalizava 66,9 mil toneladas.
RECEITA MELHOROU
Em termos financeiros, a receita obtida pelo setor foi favorecida pelo câmbio elevado e pelo aumento no preço médio da carne exportada. Ainda tendo-se como base os dados da Secex, a tonelada da carne suína saiu dos portos brasileiros a US$ 2,27 mil, o maior valor dos últimos seis meses. Dessa forma, a receita com os embarques somou R$ 1,12 bilhão em outubro, aumento de 10,3% frente à de setembro e ainda 71,8% maior que o montante de outubro/19.
O incremento nos embarques suinícolas se deu principalmente pelo crescimento das vendas à China e Hong Kong. Após atingirem a menor participação nas exportações de carne suína de 2020 em setembro, ambos os destinos aumentaram os pedidos em outubro. No mês, a China foi destino de 46,5 mil t dos embarques de carne suína, alta de 6,1% frente a setembro, e Hong Kong, de 11,4 mil t, elevação de 16,6%.
RELAÇÃO DE TROCA COM INSUMOS
Em outubro, os preços internos do milho e do farelo de soja renovaram as máximas nominais e atingiram recordes reais em algumas praças, segundo levantamento da Equipe de Grãos do Cepea. Os valores dos suínos também estiveram em alta, mas em ritmo inferior ao observado para os insumos.
Esse cenário acabou interrompendo o movimento de avanço no poder de compra de suinocultores, que vinha sendo observado desde maio deste ano.




















